A equipa da Proteção Civil e da Cruz Vermelha que esteve em missão humanitária do Estado português em Moçambique, regressou, esta terça-feira, a Portugal. Uma comitiva de 57 pessoas aterrou no aeroporto de Figo Maduro e Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, fez questão de marcar presença.

O ministro, quando questionado sobre o aumento do número de mortos e se existem portugueses incluídos, confirmou que não há cidadãos nacionais entre as vítimas mortais do ciclone Idai e garantiu que os portugueses estão agora a ser vacinados por causa do surto de cólera.

Não está identificada nenhuma vida perdida de nacionalidade portuguesa".

 

Finalizada esta primeira primeira fase de resgate e salvamento, Eduardo Cabrita disse que a ajuda que permaneceu no local será centrada sobretudo na área da saúde.

Neste momento, a principal presença numa ajuda humanitária, é o hospital de campanha do INEM (...) e que teve oportunidade de fazer, entre outras múltiplas ações, os dois primeiros partos. (...) Moçambique está a renascer, há novas vidas e é nessa dimensão, agora, fundamentalmente, da área da saúde que as questões se colocam". 

Francisco George, presidente da Cruz Vermelha, um dos membros da comitiva, à chegada, também enalteceu a importância da maternidade da Cruz Vermelha

A equipa da Cruz Vermelha e dos Médicos do Mundo já ajudaram aos nascimento de três crianças. Vão nascer muitas crianças na maternidade da Cruz Vermelha, muitas mesmo".

Reforçou a importância da equipa da Cruz Vermelha no terreno dizendo que, em Moçambique, são esperados cerca de 45 mil partos nos próximos meses.

Francisco George também fez um balanço da situação que se vive neste momento em Moçambique e revelou onde vão ser aplicados os fundos doados pelos portugueses.

Posso confirmar que as verbas que os portugueses têm doado vão ser utilizadas para reconstruir a maternidade local. Isto é, a nossa maternidade de campanha sai e ficará uma totalmente reconstruída (...) e esse processo já se iniciou". 

Esta força conjunta portuguesa, que partiu há dez dias numa missão humanitária do Estado português para Moçambique, tinha como principal objetivo o transporte de bens para áreas isoladas, desobstruir vias inacessíveis, e ainda a purificação de água. Só na região de Buzi prestaram assistência a 20 mil pessoas. 

Nós estivemos no terreno cerca de dez dias e teremos assistido muito perto de 20 mil pessoas. À nossa chegada, as águas do rio Buzi começaram a baixar. Havia pessoas que estavam isoladas, sim, mas são bastante resilientes e já não queriam sair da sua comunidade ou da sua área”, afirmou o comandante Pedro Nunes, adjunto da Autoridade Nacional de Proteção Civil e comandante da força conjunta.

Entre esta comitiva, encontravam-se bombeiros voluntários e profissionais da força especial de bombeiros, elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR acompanhados de seis cães, especialistas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da Proteção Civil e dois técnicos da EDP que foram ajudar a repor o fornecimento de eletricidade.

A missão humanitária regressou num avião da EuroAtlantic, cujas despesas foram financiados pela Jerónimo Martins, o mesmo onde foram transportadas no domingo 33 toneladas de material para equipar a maternidade.

No terreno, ficou ainda uma parte da equipa portuguesa, enviada pelo Governo, de 36 operacionais, que se irá centrar nas dificuldades na área da saúde.