O poeta e pintor Mário Elias, de 77 anos, morreu esta terça-feira no Hospital de Beja, vítima de doença prolongada, revelou o município de Mértola, concelho de onde era natural, escreve a Lusa.

O funeral, segundo a autarquia alentejana, realiza-se quarta-feira, às 11:00, no cemitério novo da vila.

«É uma perda enorme, não só para o concelho, como também para a região e para o país», lamentou à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Mértola, Jorge Rosa.

O autarca lembrou que o artista, nascido em Mértola em 1934, «sempre esteve ligado à vida cultural do concelho», onde até existe a Casa das Artes Mário Elias, mas tem «um currículo muito mais vasto».

«O Mário Elias foi poeta, pintor, escreveu ensaios e colaborou com revistas e órgãos de comunicação social, ilustrou livros e chegou a produzir filmes e documentários», realçou.

Segundo Jorge Rosa, «sempre foi uma pessoa muito interessada pelo Alentejo e com uma visão pragmática e muito própria sobre as várias facetas da nossa vida quotidiana, quer fosse a política, a religião ou outras».

«A sua morte é uma grande perda porque se trata de uma pessoa de muito valor, que ficará para sempre marcada na história deste concelho», afiançou ainda o autarca.

Entre 1950 e 1970, Mário Elias colaborou em revistas como Flama, Século Ilustrado, Almanaque Alentejano, Revista Costa do Sol ou Fraternidade, assim como nos jornais Sempre Fixe, Ridículos ou Parada da Paródia.

Além disso, ao longo do seu percurso, colaborou com jornais alentejanos, como o Diário do Alentejo, e várias revistas e boletins municipais.

Pertenceu ao movimento poético «Desintegracionismo» (1963) e, com o apoio do município de Mértola, publicou vários livros de ensaios.

«Santos Luz Poeta Trágico», «A Estética do Pessimismo em Antónia Sequeira» e «Canhenho d`um Mertolense» são outras das suas obras, enquanto escritor.

No que respeita às artes plásticas, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1964, e participou em inúmeras exposições por todo o país.

Em 1959, Mário Elias participou na exposição colectiva «1.ª Exposição de Desenho Moderno», na Casa da Imprensa, em Lisboa, juntamente com Almada Negreiros, Ribeiro de Paiva, Francisco Relógio, Júlio Pomar, João Abel Manta e Jorge Barradas.