Luís Filipe Vieira foi detido esta quarta-feira na sequência de um caso que investiga suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais. O milionário José António dos Santos, conhecido como o "rei dos frangos" também foi detido na sequência do mesmo processo.

No mesmo processo foi ainda detido Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira e o empresário Bruno Macedo, responsável pelo regresso de Jorge Jesus à Luz e pelas contratações de Everton ou Lucas Veríssimo.

Os quatro arguidos vão passar a noite na esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Moscavide e vão ser presentes ao juiz Carlos Alexandre esta quinta-feira.

A TVI sabe que Vieira vai ser defendido por Magalhães e Silva, advogado do Padre Manuel Crespo, no processo das FP 25.

No âmbito do mesmo processo, foram também feitas buscas a Nuno Gaioso Ribeiro, responsável pela reestruturação da dívida da empresa Promovalor, de Luís Filipe Vieira, e ex-vice presidente e administrador da SAD do clube encarnado.

O alegado esquema serviria para benefício de Vieira e do empresário José António dos Santos, em prejuízo do Benfica: na compra de ações da SAD encarnada, por parte do clube, que dariam uma mais valia de 11 milhões de euros ao empresário e amigo de Vieira, maior acionista privado, com 16,33 por cento do capital.

O negócio, no ano passado, acabou por ser travado pela CMVM, ao concluir que a OPA do clube sobre a SAD ia ser feita com fundos da própria SAD, numa operação no valor de 32 milhões de euros.

Antes disso, José António dos Santos, 79 anos, recomprara por oito milhões de euros a dívida que fora da Imosteps, de Vieira, ao Novo Banco, salvando assim o presidente do Benfica da insolvência, numa altura em que este se recandidatava à liderança do clube e da SAD - e precisava, para o efeito, de ter a sua idoneidade a salvo.

Acredita o Ministério Público que, em contrapartida, Vieira arranjou forma de, usando a sua posição de presidente do clube, conseguir que o amigo tivesse largos benefícios na venda de ações ao próprio Benfica, que tinha 67% da SAD do clube, querendo chegar aos 95%.

O “rei dos frangos” faria uma mais-valia de 11 milhões de euros, face ao investimento que fizera, mas o regulador da bolsa travou a operação por considerar a mesma irregular.

Em causa, suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária e ainda crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Henrique Machado / - notícia atualizada às 17:30