A claque do Benfica No Name Boys é um dos grupos organizados de adeptos que não está legalizado e nunca manifestou intenção de se registar no Conselho Nacional do Desporto (CND), pelo que não é apoiado pelo clube.

Até ao momento, de acordo com o presidente do Conselho para a Ética e Segurança no Desporto (CESD), Manuel Brito, só 10 claques se encontram registadas no organismo, como determina a lei, apesar de existirem muitas mais espalhadas pelo país.

Segundo a nova proposta de lei de combate à violência no desporto, recentemente aprovada em Conselho de Ministros, os grupos organizados de adeptos têm de ser registados no CESD e os clubes que apoiem claques que não cumpram este requisito correm o risco de jogar os seus encontros em casa à porta fechada.

Quatro dos cerca 30 detidos da claque estão a ser ouvidos no DIAP

Em diversas ocasiões, o Benfica tem afirmado que não apoia qualquer claque que desrespeite a legislação em vigor, ou qualquer outra que lhe venha a suceder, e que não lhes disponibiliza instalações no Estádio da Luz.

O facto de a Direcção «encarnada» não apoiar nenhuma das claques do clube, por não estarem legalizadas, já originou diversas clivagens entre estes grupos de adeptos e o próprio presidente Luís Filipe Vieira.

Em Julho, após uma Assembleia Geral do Benfica, Luis Filipe Vieira foi insultado e ameaçado fisicamente por várias dezenas de jovens adeptos «encarnados», alegadamente afectos às claques do clube, tendo de ser escoltado pela polícia.

Os No Name Boys terão resultado de uma cisão registada nos Diabos Vermelhos, no início da década de 90, e até não se sabe oficialmente quem são os seus líderes nem quantos elementos dela fazem parte.

Entre os vários incidentes violentos de que esta claque «encarnada» é acusada de ter protagonizado, o mais grave foi o caso do «very-light» mortífero na final da Taça de Portugal da época 1995/96, disputada entre Benfica e Sporting (3-1).

Um dos membros dos No Name Boys, Hugo Inácio, lançou o petardo que viria a atingir mortalmente o adepto «leonino» Rui Mendes, que se encontrava no topo oposto do Estádio Nacional.

De acordo com imprensa, uma das situações que poderá ter estado na origem da operação da PSP que domingo levou à detenção de 29 elementos dos No Name Boys foi o incêndio no autocarro dos adeptos do FC Porto que, em Junho, se deslocaram a Lisboa para o quarto jogo dos «play-off» do Campeonato Nacional de hóquei em patins entre Benfica e FC Porto.

Segundo o «Diário de Notícias», os principais líderes da claque, conhecidos pelas fontes policiais, foram detidos por estarem fortemente indiciados por vários tipos de crime: «Associação criminosa, ofensas corporais graves a entidades e agentes policiais, roubo, posse ilegal de armas, tráfico de droga, danos agravados e muitos outros delitos».