O Ministério Público acusou já esta semana 36 homens e uma mulher, membros dos Casual, a ala mais radical dos No Name Boys, claque não autorizada do Benfica, por 261 crimes como homicídio qualificado na forma tentada, atentado à segurança de transporte rodoviário, ofensas à integridade física, furto e dano. Em causa, num despacho do DIAP de Lisboa a que a TVI teve acesso, estão 11 episódios de violência em que o mais mediático diz respeito ao apedrejamento do autocarro do Benfica na A2, em junho passado, que feriu dois jogadores. 

Os acusados, entre os 20 e os 40 anos, respondem ainda pelos grafitis insultuosos na casa do então treinador Bruno Lage, por agressões a adeptos do Sporting, FC Porto e a agentes da autoridade. São crimes praticados entre 2018 e 2020, que fizeram mais de duas dezenas de vítimas, entre atletas, adeptos de clubes rivais e polícias. 

Os grafitis ameaçadores pintados no prédio onde vivia Bruno Lage, na madrugada de 5 de junho deste ano, são o último crime referido na acusação. Horas antes, quatro elementos do núcleo duro dos Casuals planearam o apedrejamento do autocarro do Benfica, em plena A2, com o objetivo de castigar a equipa pela derrota na Luz frente ao Tondela. 

Pelas perícias a telemóveis apreendidos a investigação apanhou trocas de mensagens na aplicação Telegram, que relatam o planeamento do ataque ao autocarro em que ficaram feridos os jogadores Zivkovic e Weigl com os estilhaços dos vidros partidos. Os danos causaram um prejuízo de 15 mil euros ao clube. 

Há ainda casos de agressões a três adeptos do Sporting junto ao estádio de Alvalade e o esfaqueamento de outro adepto sportinguista no Estoril, tudo em Maio deste ano. 

O Ministério Público destaca a premeditação dos crimes e acrescenta: “Este grupo (casuals) caracteriza-se pela violência física que exerce sobre adeptos de claques de clubes rivais. As façanhas conseguidas são simbolizadas com a subtração de adereços de claques rivais, tais como camisolas e bonés que levam consigo como troféus”.

Seis dos acusados aguardam julgamento em prisão preventiva ou domiciliária. 

Henrique Machado