Foi durante muitos anos um dos homens fortes da estrutura de Luís Filipe Vieira no Benfica, mas depois de abandonar o clube, Rui Gomes da Silva tem sido dos mais acérrimos opositores do atual presidente dos encarnados.

Esta quinta-feira, e na sequência da detenção de Luís Filipe Vieira, o também antigo candidato à presidência do clube falou na TVI24 sobre os tempos em que ambos trabalhavam juntos.

Falando num "misto de novidade e de coisa esperada", refere ter alertado ao longo de quatro/cinco anos de alguns caminhos que se faziam no Benfica, tendo saído por discordar de muitas práticas que se faziam no clube.

Fiz o que normalmente não se faz [n.d.r. deixar o Benfica]. Muitas das coisas que eu via podiam vir dar a este caminho, e então bati a porta", afirmou.

Ainda assim, Rui Gomes da Silva diz que não tinha noção da dimensão do processo, numa altura em que se suspeitam de crimes que envolvem quantias que chegam aos 100 milhões de euros, sendo Luís Filipe Vieira suspeito de ter lesado o Benfica em várias transações.

Uma das movimentações com que o antigo vice-presidente dos encarnados discordou foi a Oferta Pública de Aquisição (OPA), que foi chumbada pela CMVM, e que pode ser uma das questões em causa no processo.

Eu não queria o caminho de Luís Filipe Vieira. O futebol não tem de ter parcerias com empresários", disse Rui Gomes da Silva

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos no âmbito de uma investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros com prejuízos para o Estado.

Uma nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) indica que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizados cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

No comunicado do DCIAP, é indicado que os detidos são suspeitos de estarem envolvidos em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Em causa, adianta, estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de serem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes na quinta-feira a primeiro interrogatório judicial, com vista à aplicação de medidas coação, "com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas".

António Guimarães