O Bloco de Esquerda acusou hoje a GNR de Aveiro de fazer uma "caça à multa", denunciando um caso de troca de tiros, onde os militares demoraram a chegar ao local, porque estavam em operações STOP, mas a Guarda nega.

Em comunicado, o Bloco diz que o comando distrital da GNR de Aveiro "faz das operações STOP o centro da sua ação, com o objetivo de ser o distrito do país com mais multas passadas aos cidadãos".

De acordo com os bloquistas, todos os recursos estão a ser direcionados para operações STOP, "desguarnecendo os postos da GNR e descurando outras operações".

"Numa recente ocorrência no concelho de Ílhavo, onde houve troca de tiros, a chegada da GNR foi demorada porque teve que ser acionada uma patrulha do concelho de Albergaria-a-Velha, uma vez que os militares de Ílhavo e dos postos vizinhos tinham sido destacados para operações STOP", lê-se na mesma nota.

O Bloco diz que o papel da GNR enquanto força de proximidade foi definitivamente abandonado, para concentrar todos os recursos na caça à multa, uma inversão de prioridades que, segundo a formação partidária, está a causar "enorme mal-estar" na população e entre os militares, pela "pressão que é exercida para a multa e porque contraria aquilo que devem ser os seus deveres".

Contactado pela agência Lusa, o responsável pelas relações públicas da GNR de Aveiro, Tiago Meireles, disse que vão averiguar os factos descritos no comunicado, remetendo uma posição do comando para um momento posterior.

Tiago Meireles nega, no entanto, que a GNR de Aveiro esteja a levar a cabo uma "caça à multa", assegurando que a Guarda privilegia a missão de segurança e proteção de pessoas e bens. "Isso é o nosso enfoque diário. É para ai que estamos virados", vincou.

O mesmo responsável lembrou ainda que o distrito de Aveiro é o que tem o maior índice de sinistralidade rodoviária, na área da GNR. "Daí, o comando territorial de Aveiro ter um especial enfoque para tentar baixar esse número de sinistralidade, não só com ações de fiscalização rodoviária, mas também de prevenção", concluiu.