A viagem é contada no blog Blue Olive e esta é a experiência de 22 dias passados  na Tasmânia, ilha australiana de indígenas com referências a aborígenes com 35 mil anos. Ah, sim, e com muitos cangurus e diabos da Tasmânia, entre muita fauna.

Tasmânia, para já em 1º lugar

Se a Tasmânia era o paraíso não quero imaginar o que iremos dizer da Nova Zelândia. Quando chegámos à Austrália, conhecemos uma senhora que nos disse que as paisagens nesta zona estavam pela seguinte ordem: em 3º a Austrália, 2º a Tasmânia e em 1º a Nova Zelândia. A ver vamos, mas a Tasmânia deixou marcas.

Chegámos à Tasmânia mesmo a tempo da chegada da regata Sydney-Hobart. Foi um dia bem passado, vimos veleiros a chegar, tripulações a festejar. Os miúdos tiveram direito a pinturas na cara, jogos, balões, música e conhecemos a Sofia, o Peter e as filhas. A Sofia é portuguesa, casada com um australiano e vive na Austrália, em Port Douglas, há 8 anos. Estavam de férias na Tasmânia e, passados alguns minutos de conversa, já estávamos sentados à mesa para jantar a contar e a ouvir histórias. Tínhamos um sítio já cortado do nosso itinerário, mas como não acreditamos em coincidências... Esse sítio voltou a fazer parte do nosso roteiro com muito entusiasmo. A Sofia e o Peter vivem lá e convidaram-nos para ir passar uns dias com eles.

Voltando à Tasmânia propriamente dita, depois do dia em Hobart ficámos a dormir no único sítio que conseguimos e que era horrível. Bem, não sei se horrível é a melhor palavra para o descrever, mas o dia estava mau, o local onde dormimos para desenrascar era do século passado e não vimos nada que considerássemos bonito. O André estava super desiludido e pronto para voltar para trás, mas convenci-o de que a Tasmânia ainda ia ser o ponto alto da viagem - e desde esse dia que foi mesmo.

Todos os dias conhecemos sítios que nos deslumbraram… "É a floresta mais gira em que já estivemos"… "É praia mais gira". A Tasmânia é sempre qualquer coisa mais.

Fomos por 22 dias e, por momentos, como já disse, pensámos que estávamos loucos, mas agora concluímos que ainda bem que viemos esse tempo todo. A ilha é muito grande e, para fazermos tudo com calma, temos que ter tempo.

Fizemos um passeio de barco espetacular, muitos passeios a pé, há imensos parques naturais com paisagens lindas. No início pensei que ia ser um pesadelo, com os miúdos a fazerem birras, a dizerem que estavam cansados. Mas, pelo contrário! Observam TUDO o que os rodeia, veem todos os tipos de árvores, folhas, bichos. Chegam ao fim do dia a pularem e ainda fazem corridas para ver quem chega primeiro, eu já chego de língua de fora. Às vezes são 6 km, outras vezes mais, mas mais do que a quantidade é a qualidade do terreno. Multipliquem estes quilómetros por mais alguns, já que o piso é irregular, cheio de pedregulhos, muito íngreme, etc... Num dos passeios estivemos a andar 3:30 horas.

Acho que estamos todos a ficar "viciados”, queremos mais sítios assim!

Se na Austrália existiam animais por todo o lado, na Tasmânia não há explicação.

Os corvos acompanharam-nos para todo o lado, mas não pensem que eram pequeninos, eram tão grandes que mais pareciam gatos e tão altivos que nem se davam ao luxo de voar, saíam da estrada a passo lento.

Os cangurus e walabis apareciam por todo o lado, até mesmo na praia. Só ainda não tínhamos conseguido ver o diabo da Tasmânia vivo… Vimos vários atropelados L! E, pela boca e patas que vimos, se calhar foi uma sorte não nos termos cruzado com nenhum. Wombats, para quem não sabe (nós não sabíamos), é um animal típico de cá. Também são visita certa nas florestas por onde passámos, até tivemos a sorte de fazer festas a um que veio ter connosco no meio do parque.

Nos últimos dias, optámos por ficar a dormir um pouco mais longe dos locais a visitar, para ficarmos mesmo no meio da natureza. Era tão isolado que, se nos esquecêssemos de alguma coisa no carro, e se já fosse noite cerrada, ninguém tinha a coragem de meter o pé lá fora, onde havia animais que nem conseguimos descrever o que são.

Num dos dias de volta para casa, já de noite, onde não se via uma alminha viva, vínhamos a contar todos os cangurus e animais que conseguíamos ver, até que apanhamos todos um susto com o berro do pai -"Ai… ai não quero matar nenhum canguru!". Dois cangurus saltaram do nada para o meio da estrada, como vínhamos a dois à hora, conseguimos parar mesmo a tempo deles conseguirem fugir.

Num dos dias fomos ao supermercado antes de ir para casa, já que o mais próximo era a 25 km. O André comprou carne picada e uma perna para assar no forno, quando chegámos, como já era tarde, o mais rápido seria cozinhar o esparguete à bolonhesa. Estava tudo a correr bem até ouvir:

 – “Carolina, chega aqui!”

- "Olha, o que dizem estas embalagens…"

- “Wallabi!?”

Tínhamos comprado carne picada de canguru. O André disse logo: - “Aquece o forno, não consigo comer isto!” Apesar de me fazer impressão, do ponto de vista ético é tão mau comer uma coisa como outra, acho que a vaca tem tanto direito a viver como o canguru. Mas a verdade é que a nossa cabeça é tramada, uma coisa é aquilo que nos habituamos a comer desde sempre, outra é comer um animal que conhecemos há tão pouco tempo e que já temos uma empatia tão grande. Quem diria, o André, a preocupar-se com cangurus...

Os dias acabaram com uma visita a um zoo para podermos ver os diabos da Tasmânia e onde os miúdos deram também comida aos cangurus. Neste sítio, ao contrário dos outros zoos, os animais andam soltos no seu habitat.

Fomos também a uma vila antiga onde existiu uma prisão. Deram-nos uma carta a cada um, onde víamos que preso tínhamos sido. Escusado será dizer que os miúdos adoraram. Vibram imenso com estas histórias e querem sempre saber mais.

Visitámos também um campo de lavanda, onde aproveitámos para pôr a história em dia e explicar que antigamente se colocava nas múmias para não cheirarem mal.

Acabámos os dias na Tasmânia num apartamento ecológico… giríssimo! A casa de banho nem tinha autoclismo (não, não cheirava mal!), lareira, uma vista lindaaaaa e tivemos uma visita no terraço de um possum (outro animal de cá).

Tivemos tanta sorte que, no último dia, antes de irmos para o avião, conseguimos ir ver o museu Mona (o normal é fechar á 3ªfeira, mas em janeiro está aberto). Conhecemos duas pessoas, uma que nos disse que era um museu especial, que gostava muito. Outra, que não valia a pena, e que era uma seca. Nós estamos com a primeira senhora, pois… Adorámos!!!
 

Quem estiver por estes lados ou pensa em vir à Austrália, deve pensar em incluir a Tasmânia no seu roteiro.

Carolina Quina, Blue Olive