Uma lontra recém-nascida, com apenas 111 gramas, foi resgatada do esgoto no centro da cidade de Mirandela. O alerta foi dado por um grupo de jovens, por volta da uma da manhã de terça-feira, que, inicialmente, pensou tratar-se de um gato preso no interior da tampa de saneamento.

As jovens chamaram os bombeiros e para o local foram mobilizados elementos da corporação da cidade transmontana, que procederam ao resgate do animal.

O mamífero acabou por ficar ao cuidado dos populares até à chegada de um veterinário ao local, sob a presunção de que se tratava de um gato bebé.

Cerca das 13 h já estava na UTAD ... 🥰

RESGATADA LONTRA RECÉM NASCIDA

Este episódio ocorreu esta madrugada, quando...

Publicado por ADAN - Associação de Defesa Animal do Nordeste em  Segunda-feira, 18 de maio de 2020

A pequena lontra acabou por ser transportada para a Urgência de Animais Selvagens e Exóticos do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), onde ainda se encontra.

Até ao momento, o mamífero encontra-se saudável, mas este é considerado “um caso muito complicado”.

Está saudável, mas trata-se de um caso muito complicado. Uma lontra recém-nascida tem, obrigatoriamente, de ser alimentada com o leite materno de maneira a criar os anticorpos necessários para sobreviver”, disse à TVI Camila Cardoso, médica veterinária interna.

Não existindo possibilidade de alimentar a lontra recém-nascida com o leite da mãe, nem através de um composto sintético semelhante, o animal tem sido alimentado com leite de gato, através de um biberão. O leite produzido pelos felinos é o mais semelhante ao das lontras, mas nada assegura que a lontra se vá adaptar ao novo alimento.

Esta lontra bebé é o único animal desta espécie no Hospital Veterinário da UTAD. Uma particularidade que pode vir a ser prejudicial para o mamífero resgatado, uma vez que as lontras são animais selvagens que tendencialmente coabitam em grupos.

Para complicar ainda mais este quadro clínico já delicado, os veterinários têm de restringir o contacto com a lontra bebé ao mínimo necessário, para não inviabilizar o regresso do mamífero à natureza. Uma vez que caso o animal se afeiçoe à presença humana, o risco de atropelamento ou de ser capturado por predadores ou caçadores se for libertado em ambiente selvagem aumentará exponencialmente.

Demasiada interação humana pode tornar este quadro clínico ainda mais delicado. Isto porque se voltar a ser libertada na natureza terá um maior risco de ser atropelada ou capturada. Caso o animal se afeiçoe em demasia aos humanos e não possa ser libertado em ambiente selvagem será transferido para um parque natural, santuário, jardim zoológico ou oceanário”, garantiu, ainda, Camila Cardoso.

Ainda assim, este não é caso único envolvendo animais da espécie. Em setembro do ano passado, a GNR resgatou uma lontra que foi encontrada no compartimento do motor de uma viatura na Praia das Furnas, no concelho de Odemira, em Beja. 

De assinalar ainda a viagem, que a TVI acompanhou, de duas lontras desde o Golfo do Alasca até ao Oceanário de Lisboa. “Missão Alasca” foi um retrato de meses de trabalho e ansiedade para resgatar duas lontras marinhas de uma das mais remotas zonas do Planeta.

Nuno Mandeiro