Mais de mil operacionais estavam às 09:20 desta terça-feira a combater o incêndio que deflagrou no domingo em Proença-a-Nova e alastrou aos concelhos de Oleiros e Castelo Branco, segundo a Proteção Civil.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Castelo Branco disse à Lusa que, às 09:20, o fogo estava ainda em curso e por dominar.

Àquela hora estavam no estavam no local 1.017 operacionais com o apoio de 338 veículos e quatro meios aéreos, de acordo com a Proteção Civil.

O incêndio deflagrou às 19:11 de domingo na localidade Conqueiros, concelho de Proença-a-Nova, e alastrou aos concelhos de Castelo Branco e Oleiros.

É em Oleiros que a situação mais preocupa, tendo na segunda-feira sido retiradas 33 pessoas de povoações do concelho que estavam ameaçadas pelas chamas e por precaução.

Na segunda-feira, em conferência de imprensa, o Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, disse que "um pouco mais de 50% do perímetro" estava dominado, dos quais 30% já estava consolidado com "excelente trabalho das máquinas de rasto".

Luís Belo Costa disse também que as chamas já terão consumido uma área muito próxima dos 15 mil hectares, correspondente a cerca de 60 quilómetros de perímetro.

Segundo o comandante, as maiores preocupações centram-se no concelho de Oleiros, embora existam ainda "um ou outro ponto quente" nos concelhos de Proença-a-Nova e Castelo Branco.

Das 33 pessoas que foram retiradas das suas habitações no concelho de Oleiros, Luís Belo Costa disse que "o mais rápido possível" vão regressar a suas casas e que as povoações que ainda estão na linha de fogo não motivavam preocupação.

Apesar de o levantamento dos estragos ainda não estar efetuado, o comandante Luís Belo Costa disse que há a registar alguns barracões ardidos e uma casa de segunda habitação afetada.

No domingo, dois bombeiros sofreram ferimentos graves durante o combate a este incêndio.

Fogo de Proença-a-Nova com cerca de 90% do perímetro dominado

O presidente da Câmara de Oleiros disse esta terça-feira que terão ardido cerca de 20 mil hectares com o incêndio que deflagrou no domingo em Proença-a-Nova, classificando-o como o maior fogo a atingir o concelho desde 2003.

Já ardeu tudo. Não há mais nada para arder, porque já chegou às zonas onde tinha ardido no ano passado e há dois anos", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Oleiros, Fernando Marques Jorge, acreditando que hoje será "um dia muito mais calmo", apesar de alguma preocupação a norte do concelho, nas fronteiras com o Fundão e Pampilhosa da Serra.

De acordo com o autarca, terão ardido "à volta de 20 mil hectares" no território do município, sendo "o maior incêndio no concelho de Oleiros nos últimos 20 anos".

"Só o incêndio de 2003 é que é comparável", referiu, recordando que este incêndio, que começou no concelho vizinho de Proença-a-Nova, chegou a consumir 900 hectares por hora.

Para presidente da Câmara de Oleiros, mais importante do que debater o combate ao fogo é abordar a falta de ordenamento florestal.

"Quando não se consegue combater no início e quando o incêndio chega ao concelho como aconteceu desta vez, com frentes de vários quilómetros, o fogo segue o seu caminho e ninguém o consegue parar. Só é possível [pará-lo] com ordenamento florestal. Agora, vai-se falar muito do ordenamento e do emparcelamento e depois sabe o que se vai fazer? Nada", asseverou.

Apesar disso, Fernando Marques Jorge salientou que acredita que "com o atual secretário de Estado das Florestas, se tiver poder suficiente e se não lhe cortarem as pernas, seguramente se poderá desta vez ter um trabalho para o futuro".

Mas não sei se ele terá essa força para impor o que é necessário fazer", notou.

/ RL - atualizada às 11:20