A fase Bravo de combate a incêndios florestais, a segunda mais crítica, começa esta quarta-feira e prolonga-se até 30 de junho, envolvendo no terreno 6338 operacionais, 1472 veículos, 30 meios aéreos e 70 postos de vigia.

Segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndio Florestais (DECIF) de 2013, os meios aéreos vão aumentando à medida que vai avançando a fase Bravo, que começa com os oito helicópteros da Empresa de Meio Aéreos (EMA), passando para 26 meios, a 15 de junho, e para 30, a 20 de junho.

Em declarações à Lusa, o investigador e docente da universidade de Coimbra Domingos Xavier afirmou que este ano a precipitação foi maior do que o normal e prolongou-se até maio, o que «poderá retardar o início» dos fogos e tornar a «época mais curta».

O investigador, que desde 1985 trabalha na área dos incêndios florestais, adiantou que «há muita humidade nos solos» e só se se registarem elevadas temperaturas é que pode ocorrer um grande número de fogos em maio e junho.

No entanto, o investigador, também responsável pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Lousã, alertou para a elevada quantidade de vegetação que cresceu devido às chuvas e que pode potenciar os incêndios florestais.

Já a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) considerou que o dispositivo de combate aos incêndios florestais «ainda não é o essencial», mas destacou o reforço de meios em tempo de crise, nomeadamente ao nível de recursos humanos, equipamentos e meios aéreos.

«Atendendo ao tempo de crise, houve uma evolução francamente favorável entre 2012 e este ano», disse à agência Lusa o presidente da LBP, Jaime Marta Soares, adiantando que nem «tudo está resolvido», existindo «muitas coisas que ainda são necessárias».

Em 2012, foram registadas 9333 participações por fogo posto em floresta, mais 2967 ocorrências do que em 2011, correspondendo a um aumento de 46,61 por cento, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

O RASI adianta que a Polícia Judiciária deteve, em 2012, 60 pessoas pelo crime de fogo posto em floresta, mais 25 do que em 2011.

No ano passado, os incêndios florestais consumiram 118.954 hectares, mais 45.223 hectares do que em 2011.

A época mais crítica de incêndios florestais, a fase Charlie, começa a 01 de julho, prolongando-se até 30 de Setembro, e envolve 9337 operacionais, 2172 viaturas, 45 meios aéreos e 237 postos de vigia.
Redação