A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) considera que o dispositivo de combate aos incêndios florestais «ainda não é o essencial», mas destaca o reforço de meios em tempo de crise.

«Atendendo ao tempo de crise, houve uma evolução francamente favorável entre 2012 e este ano», disse à Lusa o presidente da LBP, Jaime Marta Soares, a propósito da fase Bravo de combate a incêndios florestais, que começa na quarta-feira e se prolonga até ao dia 30 de junho.

Na fase Bravo, a segunda mais crítica no combate a incêndios florestais, vão estar no terreno 6338 operacionais, 1472 veículos, 30 meios aéreos e 70 postos de vigia, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndio Florestais 2013 (DECIF).

De acordo com o DECIF, os meios aéreos vão aumentando à medida que vai avançando a fase Bravo, que começa com os oito helicópteros da Empresa de Meio Aéreos (EMA), passando para 26 meios, a 15 de junho, e para 30, a 20 de junho.

O presidente da LBP adiantou que os meios que compõem o DECIF «não são os essenciais» e que nem «tudo está resolvido», existindo «muitas coisas que ainda são necessárias».

Apesar de não haver este ano «ganhos substanciais», Jaime Marta Soares realçou que há «um reforço em termos de recursos humanos, equipamentos e meios aéreos».

O presidente da LBP garantiu que o combate aos incêndios florestais não vai ser afetado pelas dificuldades financeiras que algumas corporações de bombeiros atravessam, principalmente as associações humanitárias.

O mesmo responsável acrescentou que os bombeiros estão preparados para a época que se avizinha, mas recordou que Portugal tem uma estrutura para responder perfeitamente a uma média de 200 fogos por dia, sendo difícil dar uma resposta em qualquer parte do mundo, quando os incêndios chegam aos 400 e 500 por dia, e à mesma hora.

Jaime Marta Soares disse ainda que a esmagadora maioria dos fogos em Portugal, na ordem dos 75 por cento, são criminosos.

Em 2012, foram registadas 9333 participações por incêndio e fogo posto em floresta, mais 2967 ocorrências do que em 2011, correspondendo a um aumento de 46,61 por cento, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

O RASI adianta que a Polícia Judiciária deteve, em 2012, 60 pessoas pelo crime de fogo posto em floresta, mais 25 do que em 2011.

No ano passado, os incêndios florestais consumiram 118.954 hectares, mais 45.223 hectares do que em 2011.

Início dos incêndios será mais tarde devido à humidade nos solos

O investigador Domingos Xavier Viegas disse que este ano o período de incêndios florestais terá o seu início mais tarde devido à humidade existente nos solos.

O docente da Universidade de Coimbra afirmou que este ano a precipitação foi maior do que o normal e prolongou-se até maio, o que «poderá retardar o início» dos fogos e tornar a «época mais curta», escreve a Lusa.

O investigador, que desde 1985 trabalha na área dos incêndios florestais, adiantou que «há muita humidade nos solos» e só caso se registem elevadas temperaturas é que pode ocorrer um grande número de fogos em maio e junho.

No entanto, o responsável pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Lousã alertou para elevada quantidade de vegetação que cresceu devido às chuvas e que podem potenciar os incêndios florestais.

«Se a vegetação que existe não arder este ano e nada for feito, a situação poderá tornar-se mais complicada no próximo ano», disse, acrescentando que é necessário limpar as áreas junto às casas e as estruturas consideradas importantes.

Sobre os meios que compõem Dispositivo Especial de Combate a Incêndio Florestais (DECIF) para este ano, o investigador afirmou que as medidas «são as necessárias» e «vão no bom sentido», contemplando o DECIF «algumas lições retiradas» do relatório sobre o incêndio que no ano passado deflagrou no Algarve.
Redação / PP