A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) considerou, esta quinta-feira, «inadmissível» a apreensão, segunda-feira em Braga, de exemplares de uma obra que reproduz na capa uma pintura de Gustave Courbet, por ser alegadamente pornográfica.

«É uma questão, digamos, inadmissível. É uma forma de ver as coisas muito limitada e que não pode merecer a nossa concordância», disse o presidente da APEL, Rui Beja, à agência Lusa.

A PSP de Braga apreendeu, segunda-feira, numa feira do livro cinco exemplares de um livro sobre pintura que tinha na capa uma reprodução do famoso quadro «A origem do mundo», de Gustave Courbet, que revela o sexo de uma mulher.

De acordo com as autoridades, a exposição dos livros estava a atrair a curiosidade das crianças que brincam na zona - uma área pedonal no centro da cidade onde decorre a feira - e os pais mostravam-se incomodados com o facto, tendo chamado a PSP.

Para o presidente da APEL, associação que organiza as feiras do livro de Lisboa e do Porto, a apreensão foi «um excesso de zelo e terá sido um acto isolado» e as autoridades deviam «repensar a sua actuação». «Todos os dias vêem-se coisas muito mais gratuitas e sem sentido em horários nobres na televisão, por exemplo», disse Rui Beja, lamentando a apreensão dos livros.



O quadro em causa, que expõe as coxas e o sexo de uma mulher, foi feito em 1866 e está actualmente exposto no Museu D'Orsay, em Paris.