Um médico de Barcelos confessou, no Tribunal de Braga, que acertou receber 5.000 euros de um paciente sob a promessa de influenciar um concurso público e assim arranjar emprego para a sua filha enfermeira.

Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu a sua condenação por um crime de tráfico de influência.

Afonso Inácio, ex-diretor do Centro de Saúde Barcelos, explicou que aquela verba seria paga em duas tranches: a primeira “à cabeça”, para “mexer os cordelinhos”, e a segunda após a colocação da referida enfermeira.

Disse que foi o pai da enfermeira quem o abordou e ressalvou que não fez qualquer diligência para influenciar o concurso.

“Sabia que não podia fazer nada, porque era um concurso nacional. Aceitei o dinheiro porque estava a atravessar muitas dificuldades económicas. Fiquei na expectativa da colocação [da enfermeira]. Se corresse bem e ela fosse colocada, recebia os 5.000 euros e estava o assunto o arrumado”, referiu.

O acordo foi “selado” em novembro de 2015, a primeira tranche foi entregue e Afonso Inácio terá prometido que a enfermeira estaria a trabalhar, o mais tardar, até 15 de janeiro de 2016.

No entanto, o concurso “não correu bem” e Afonso Inácio começou a ser pressionado para devolver os 2.500 euros, o que acabou por acontecer.

No momento da devolução, a Polícia Judiciária interveio e apreendeu o dinheiro, acabando por constituir como arguidos tanto o médico como o pai da enfermeira, indiciados por corrupção.

O pai da enfermeira beneficiou da suspensão provisória do processo, mediante o cumprimento de 100 horas de trabalho a favor da comunidade.

O médico foi acusado de um crime de tráfico de influência.

Para o Ministério Público (MP), “tudo não passou de um estratagema para extorquir dinheiro à vítima”.

Esta quarta-feira, nas alegações finais, a procuradora do MP pediu a condenação do arguido por aquele crime.

Já o advogado do arguido pediu a absolvição, considerando que em causa estará um crime de burla, que carece de apresentação de queixa, o que não aconteceu.

Desta forma, o advogado, Ernesto Salgado, defendeu que o procedimento criminal deve ser dado como extinto.

Os 2.500 euros estão apreendidos à ordem dos autos, tendo o MP pedido que sejam declarados perdidos a favor do Estado.

A leitura do acórdão está marcada para 02 de outubro.