O vice-cônsul de Portugal alegadamente envolvido no desvio de dinheiro da arquidiocese de Porto Alegre, Brasil, foi suspenso preventivamente, disse esta sexta-feira o secretário de Estado das Comunidades, adiantando que o inquérito de que foi alvo ainda decorre, escreve a Lusa.

«Há um procedimento em curso na área disciplinar relativamente à inquirição e conhecimento das circunstâncias em que aquele representante agiu. Está suspenso preventivamente e matéria relativamente à qual possa haver ilícito criminal será naturalmente comunicada ao Ministério Público», disse António Braga.

O secretário de Estado das Comunidades falava à Lusa à margem de um encontro em Lisboa com autarcas da cidade de Lambeth, Reino Unido, onde reside uma importante comunidade portuguesa.

António Braga explicou que numa primeira fase as conclusões do inquérito determinaram a suspensão do titular do vice-consulado de Portugal em Porto Alegre, desenvolvendo-se agora a fase de defesa e de exercício do direito ao contraditório por parte do visado.

O vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, Adelino Pinto, está a ser investigado pela polícia civil daquela cidade por suspeita de desvio de cerca de 2,5 milhões de reais (1,07 milhões de euros) da arquidiocese local, acusação negada pelo próprio, mas que foi alvo de um inquérito do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

Adelino Pinto terá servido de intermediário de um suposto investimento de 12 milhões de reais a realizar por uma Organização Não-Governamental (ONG) belga no restauro de duas igrejas de origem portuguesa na região, tendo, neste âmbito, sido depositados na sua conta pessoal cerca de 2,5 milhões de reais (1,07 milhões de euros), valor que seria devolvido à diocese até 31 de Janeiro, o que não aconteceu.
Redação / PP