A vice-presidente do Instituto de Administração da Saúde (IASAÚDE) da Madeira, Bruna Gouveia, disse esta terça-feira que o caso confirmado de Covid-19 numa turista holandesa não representa "transmissão comunitária da doença" na região.

"O que nós estamos neste momento a verificar é um primeiro caso positivo, em que não há ainda identificada qualquer transmissão da doença. Por isso não estamos ainda a falar de transmissão comunitária, nem transmissão local. O que vimos é um caso importado da doença, uma cidadã proveniente de um país que já vinha com a infeção na sua fase desenvolvimento e que apresentou sintomas apenas quando chegou à Madeira", esclareceu, durante uma conferência de imprensa no Funchal.

Para Bruna Gouveia, a situação epidemiológica na Madeira "é um pouco diferente daquela que existe em Portugal continental", porque na região há um caso identificado importado, enquanto no contexto do continente "é uma situação em que há várias cadeias de transmissão, casos importados que deram origem a outros casos e essa sim é uma fase de necessária mitigação do impacto, mas o objetivo é sempre quebrar cadeias de transmissão".

A responsável revelou, na conferência de imprensa de balanço da situação da pandemia Covid-19 no arquipélago, que dos 30 casos, 25 deram negativo, um positivo e quatro aguardam os respetivos resultados laboratoriais.

O caso positivo é uma turista holandesa de 61 anos que se encontrava alojada num hotel no Funchal.

Das quatro pessoas que aguardam resultados laboratoriais, duas são turistas (finlandesa e paquistanesa) e duas são residentes na Madeira com ligações epidemiológicas a zonas com transmissão.

A vice-presidente do IASAÚDE adiantou ainda que o total dos contactos em vigilância ativa pelas autoridades de saúde é hoje de 238 pessoas, onde se incluem 45 contatos associados ao caso da turista holandesa.

O delegado de Saúde do Funchal, Maurício Melim, revelou que "o relatório clínico das 17:45 [da turista holandesa] indica que a doente está clinicamente bem" e que as análises às 18 pessoas que estiveram mais próximas à doente deverão ser conhecidos até à meia-noite.

Indicou ainda que dos 126 hóspedes que se encontravam no hotel onde estava alojada a turista holandesa, já saíram 22 pessoas (12 pessoas de nacionalidade sueca e 10 holandeses).

Quanto aos nove funcionários das 18 pessoas que contataram de forma mais próxima com a turista, Maurício Melim disse que "estão bem".

"Há uma pequena situação pouco relevante num trabalhador que tem impressão, e cito, na garganta. As outras oito estão bem e sem sintomas", revelou.

Os 104 hóspedes que ainda se mantém no hotel, Maurício Melim referiu que serão "paulatinamente" analisados.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 já infetou mais de 189 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde elevou hoje número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

Dos casos confirmados, 242 estão a recuperar em casa e 206 estão internados, 17 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos.

/ AM