O líder da maior claque do Sporting, a Juventude Leonina ou “Juve Leo”, foi detido na noite de domingo na sequência da investigação ao ataque à Academia, em maio.

Mustafá, ou Nuno Mendes, lidera a “Juve Leo” há cerca de dois anos, depois de ter sido reeleito em julho passado, é suspeito de ser, a par do ex-presidente Bruno de Carvalho, detido na mesma noite, um dos instigadores das agressões que ocorreram em Alcochete.

TVI sabe que as detenções foram feitas propositadamente no domingo, em dia de jogo em Alvalade, para que Mustafá fosse apanhado na sede da claque, junto ao estádio, na posse de droga, o que veio a acontecer. O líder da “Juve Leo” foi apanhado com cocaína e haxixe.

Mas não é a primeira vez que Mustafá, de 40 anos, é detido.

Em 2015, foi detido juntamente com o então vice-presidente do Sporting Paulo Pereira Cristóvão, e outras 16 pessoas, na sequência de uma investigação a assaltos violentos a residências de luxo na zona de Lisboa e margem sul do Tejo, por associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder e falsificação de documento.

Na sequência deste processo, cujo primeiro julgamento foi anulado e, por isso, irá novamente a julgamento, Mustafá chegou a estar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, mas foi libertado meses depois, reassumindo a sua posição na claque.

Também não fora a primeira vez que cumpria pena de prisão.

Segundo o jornal Record, cumpriu pena no estabelecimento prisional do Linhó, onde fundou um núcleo da “Juve Leo” juntamente com outros reclusos. Durante as saídas precárias ia sempre a Alvalade.

Mas a sua ascensão à liderança começou no Monte da Caparica, depois de fundar o núcleo do Pica Pau, contou um dos elementos da Juventude Leonina, sob anonimato, ao desportivo.

 “Era um núcleo forte, de uma zona complicada, e tinha muito músculo. Isso fez com que fosse ganhando cada vez mais protagonismo”, contou.

Mais recentemente, a 19 de maio, dias depois do ataque à Academia, Mustafá, em conferência de imprensa em Alvalade, onde leu um comunicado, condenou o ataque à Academia e isentou Bruno de Carvalho de qualquer responsabilidade, prometendo, ainda, sanções severas para os culpados.

"Em nenhum momento houve um pedido, sugestão ou sequer aval do presidente ou de qualquer elemento do Sporting para que a Juve Leo desencadeasse qualquer ação contra os nossos jogadores, o nosso mister [Jorge Jesus], o staff técnico ou qualquer elemento da Academia de Alcochete", afirmou na altura, sublinhando a Juventude Leonina é "uma associação com sete mil associados e que condena qualquer tipo de violência no desporto".

Mustafá e Bruno de Carvalho vão ser presentes ao Juiz de Instrução Criminal na manhã de terça-feira, a partir das 10 horas, no Tribunal do Barreiro.

Recorde-se que, em 15 de maio deste ano, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, treinadores e staff.

No dia dos acontecimentos, a GNR deteve 23 pessoas, tendo posteriormente efetuado mais detenções, estando atualmente em prisão preventiva 38 pessoas, entre as quais o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes.

Os 38 arguidos que aguardam julgamento em prisão preventiva são todos suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente, de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.