Um homem que se fazia passar por técnico de operadoras de telecomunicações foi detido na segunda-feira, no concelho de Cascais, distrito de Lisboa, por ser suspeito de 59 crimes, inclusive 17 de furto qualificado, anunciou esta quinta-feira a PSP.

De acordo com a polícia, a investigação em curso permitiu verificar que “o suspeito se dedicava única e exclusivamente à prática de furtos em habitações de idosos em toda a Área Metropolitana de Lisboa”.

O homem de 34 anos foi detido em flagrante delito, na segunda-feira, pelas 12:00, na União de Freguesias Carcavelos Parede, em Cascais, no âmbito de investigação policial, na qual já tinha sido emitido um mandado judicial, por este ser “suspeito da prática de 17 crimes de furto qualificado, 12 crimes de furto, 13 crimes de burla informática, um crime de coação e 16 crimes de condução sem habilitação legal”, informou a Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP).

O detido já foi presente a 1.º interrogatório judicial e foi-lhe decretada pelo Juiz de Instrução Criminal a medida de coação mais gravosa de prisão preventiva, indicou a polícia.

Em comunicado, a PSP referiu que a última vítima do “falso funcionário de operadoras de telecomunicações” foi uma idosa de 93 anos, que “foi visitada pelo arguido quando já se encontrava a ser monitorizado pelos polícias e, após abandonar o local, apurou-se que, do interior da residência, tinha subtraído um cofre, dinheiro e um cartão de débito”.

Após esse furto, os polícias procederem à detenção do suspeito, que se encontrava efetivamente na posse dos objetos pertencentes à idosa.

A investigação policial desencadeou-se na sequência de várias denúncias e informações criminais recolhidas, tendo a PSP referenciado “um indivíduo que se fazia passar por técnico das operadoras de telecomunicações (‘MEO’, ‘NOS’ e ‘VODAFONE’), para se poder introduzir nas residências de pessoas idosas”.

A maioria das vítimas tinha mais de 80 anos e o “falso funcionário”, a pretexto de uma eventual intervenção técnica, entrava nas casas, de onde “furtava joias, dinheiro e cartões bancários”, adiantou a PSP.

“Para a concretização dos crimes, as vítimas eram previamente contactadas telefonicamente pelo suspeito, que se identificava como funcionário de uma determinada operadora de telecomunicações, a comunicar a existência de uma anomalia na rede que cobria a área da sua residência e da necessidade de enviar um técnico ao local para resolver a avaria”, precisou a polícia, acrescentando que o “falso funcionário” comparecia à porta das pessoas contactadas, poucos minutos depois do telefonema, “vestindo coletes das operadoras, de forma a tentar corresponder ao técnico dos serviços de uma operadora”, conseguindo entrar nas residências.

Além de furtar artigos valiosos, o suspeito aproveitava este “modus operandi” para ludibriar as vítimas vulneráveis, “essencialmente devido à idade avançada e ao pouco discernimento para avaliarem as suas reais intenções”, a fornecerem-lhe os códigos de acessos aos cartões bancários de que se apoderava e com os quais levantava dinheiro e realizava compras pessoais, “na ordem das dezenas de milhares de euros”, revelou a PSP.

Segundo o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, durante a atividade criminosa, “o suspeito depositou aproximadamente 170.000 euros em numerário nas suas contas bancárias, que tudo indicia corresponder ao lucro dos crimes perpetrados”.

No âmbito da detenção, a polícia deu cumprimento a quatro mandados de busca domiciliária e não domiciliária, que resultaram na “apreensão de sólidos elementos probatórios resultantes da atividade criminosa, designadamente: uma viatura ligeiro de passageiros; três telemóveis; um cartão de débito; um colete cinzento com bolsos; um par de óculos graduados; um cofre em ferro; uma licença de aprendizagem para obtenção de carta de condução; sete televisões; vários artigos em ouro; vários perfumes de marcas diversas; vários óculos de sol de marcas diversas conceituadas; vários eletrodomésticos; 295 euros em numerário; vários relógios de marcas diversas conceituadas; diversas peças de vestuário e calças; vários artigos de criança; e vários contratos de adesão das operadoras ‘Meo’, ‘Vodafone’ e ‘Nos’”.

De forma a prevenir situações de crime, a PSP aconselha a população mais idosa a não abrir a porta a desconhecidos e, no caso que tenham que o fazer, contactem um familiar ou vizinho para estarem presentes, recomendando ainda que, em caso de suspeita de qualquer crime, contactem as forças de segurança.

Além disso, a polícia sugere que “qualquer cidadão residente na Área Metropolitana de Lisboa que recebeu uma visita deste género deverá confirmar os seus pertences a fim de verificar se foi alvo de furto e, caso venham a confirmar, deverão denunciar o crime às autoridades”.

Agência Lusa / BMA