A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa perdeu, em apenas quatro dias, dois milhões de euros referentes a um esquema com apostas do Placard feitas num café em Odivelas.

O Café Casal, localizado em Casal Silveira, era explorado há mais de 30 anos por Virgílio Ferreira e pela mulher, mas no ínicio de fevereiro surgiu um interessado e o negócio foi trespassado aos novos proprietários.

No dia do trespasse, Vergílio Ferreira estranhou a ausência do homem que assinou a escritura.

Combinámos lá estar às 9:00. Estavam lá três senhores, mas o senhor que assinou a escritura não foi", afirmou o antigo proprietário do Café Casal, sublinhando que, no próprio dia, foi feito um pedido de 2.400 euros em raspadinhas.

Pediram as raspadinhas e eu achei estranho. Perguntei se eles queriam logo o plafond todo e eles responderam que tinham muitos clientes a quem vender as raspadinhas", disse.

Nos dias seguintes, alguém registou cerca de dois milhões de euros em apostas no antigo café de Vergílio. 

Até hoje, Vergílio nunca mais teve contacto com o novo gerente. O advogado do antigo proprietário já tinha contactado a Santa Casa e feito a cedência das quotas e, por isso, a responsabilidade passou para a nova gerência.

Vergílio explicou ainda que cada jogador só pode apostar no máximo 5 mil euros por dia no Placard e que, para chegar ao montante de 2 milhões de euros, a nova gerência teve de usar vários números de contribuinte.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já fez queixa às autoridades e suspendeu o terminal de jogo em causa.
 

Catarina Caseirito