As urgências dos Hospitais de Leiria e Caldas da Rainha vivem uma "situação calamitosa" denunciada pelos enfermeiros, que acumulam pedidos de escusas de responsabilidade.

No Hospital das Caldas da Rainha, os enfermeiros insurgem-se contra as condições em que trabalham, com profissionais a revelar que ficam escalados para doentes internados em macas no corredor e com obras a decorrer.

Em declarações à TVI, os enfermeiros da noite adiantam que recusaram passar o turno, na manhã desta quinta-feira, como forma de protesto contra a "situação dramática" que se vive no hospital.

A urgência respiratória do Hospital das Caldas da Rainha encontra-se fechada há mais de 48 horas com impossibilidade de escoar doentes para o circuito normal, revela o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) à TVI.

Marta Duarte, enfermeira nas urgências deste hospital desde 2007 e membro do sindicato, conta que há quatro enfermeiros para 60 doentes deitados: "O normal é estarem sempre mais de 15 doentes por enfermeiro, sem condições". 

Há utentes internados em cadeirões há mais de 48 horas, sem cama para se deitar", afirma Marta, enfermeira há 21 anos.

Os enfermeiros falam numa média de 30 macas de doentes internados no corredor da urgência por dia, com obras a decorrer perto dos utentes: "Com pó, batuques, tirar chão, paredes... tudo o que se pode imaginar de uma obra".

Imagens a que a TVI teve acesso mostram a situação que se vive no corredor da urgência, esta quinta-feira:

De acordo com a secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros, já houve 80 pedidos de escusas de responsabilidade de enfermeiros desta unidade hospitalar. Os profissionais manifestam não estar em condições de assegurar a vida e a segurança das pessoas e a qualidade dos cuidados de Enfermagem prestados à população que servem.

A situação levou o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques, a pedir uma reunião de caráter urgente à ministra da Saúde sobre o hospital do Oeste.

A TVI tentou entrar em contacto com o Centro Hospitalar do Oeste, E.P.E. - Unidade de Caldas da Rainha, mas, até à publicação deste artigo, não obteve resposta.

Ordem recebeu mais de 600 pedidos de escusa de responsabilidade de enfermeiros de Leiria

A secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros denunciou à TVI a "situação calamitosa" que se vive nas urgências do Hospital de Leiria e adiantou que as escusas de responsabilidade de enfermeiros alargam-se a outros Centros Hospitalares do Centro.

Sabemos que muitos doentes abandonam as longas filas de espera, enquanto outros aguardam pelo dia seguinte para serem observados”, afirmou à TVI a secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros, realçando que tal "coloca em causa" a vida das pessoas que se deslocam às urgências e a qualidade dos cuidados de saúde.

Esta quarta-feira, o presidente da secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros, Ricardo Correia de Matos, adiantou à TSF que há relatos de utentes que chegam a esperar 24 horas para serem atendidos no serviço de urgência do Hospital de Santo André, em Leiria.

Considerando a situação “calamitosa”, a OE revela que desde 15 de outubro, altura em que a SRCentro visitou o Serviço de Urgência do Hospital de Santo André, em Leiria, já foram rececionados mais de 640 pedidos de escusa de responsabilidade por parte dos enfermeiros deste serviço.

Neste momento, a equipa de urgência do Hospital de Leiria é composta por 129 enfermeiros, têm horas extraordinárias em défice cerca de 10 mil horas, que correspondem a 60 enfermeiros.

Já o Centro Hospitalar de Leiria , em comunicado enviado à TVI, diz não ter conhecimento destes tempos de espera, mas confirma a apresentação dos pedidos de escusa dos enfermeiros e garante que está em condições de garantir aos utentes a qualidade dos cuidados de saúde prestados pelos profissionais.

Mas as escusas de responsabilidade de enfermeiros alargam-se a outros Centros Hospitalares do Centro. Paralelamente, houve um aumento dos pedidos no Serviço de Urgência do polo Hospitais da Universidade de Coimbra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Rafaela Laja