Um hospital de campanha está a ser montado no Estádio Universitário de Lisboa para acudir eventuais necessidades decorrentes da pandemia covid-19, indicou esta quarta-feira o reitor da Universidade de Lisboa (UL), instituição que gere o complexo desportivo

Com capacidade para 500 camas, o hospital ficará instalado em três pavilhões do complexo desportivo. Num dos relvados será ainda montada uma tenda com capacidade adicional para 100 camas, precisou António da Cruz Serra.

A TVI teve acesso a fotografias que mostram a preparação para a instalação de 500 camas para infetados em estado não crítico. O objetivo é que este hospital de campanha ajude a aliviar o Hospital de Santa Maria.

O reitor disse que o hospital de campanha estará apto a funcionar a partir de sábado, podendo vir a receber, conforme as necessidades, doentes com covid-19 ou com outras patologias, uma vez que se distribui por espaços independentes uns dos outros.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, a Universidade de Lisboa menciona apenas que o hospital de campanha se destina a doentes "com outras patologias" que estão nas enfermarias do Hospital de Santa Maria, "libertando assim camas para o previsível aumento de casos de covid-19". 

Clarificando o comunicado da universidade que dirige, o reitor afirmou que "a obrigação é ter o hospital pronto e preparar recursos", assinalando que caberá aos profissionais e autoridades de saúde determinarem o melhor uso a dar-lhe, seja para doentes ou não com covid-19, seja para doentes do Hospital de Santa Maria ou de outros hospitais.

Cruz Serra adiantou que a nova residência do 'campus' da Ajuda, sem estudantes devido ao encerramento das atividades letivas presenciais por causa da pandemia, tem 186 camas disponíveis para doentes ou profissionais de saúde. 

Junto aos três pavilhões do estádio universitário onde ficará o hospital de campanha vão ser instaladas tendas que estarão preparadas para assegurar a confeção e distribuição de refeições ao pessoal hospitalar. 

A UL cede os espaços e garantirá a confeção e distribuição de comida através dos Serviços de Ação Social na Cantina Velha, enquanto a Câmara Municipal de Lisboa tem a seu cargo a operação de montagem de equipamento e logística e o Exército Português o fornecimento das camas.  

Adicionalmente, em resposta à pandemia, o Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina e a Faculdade de Farmácia da UL vão ter, a partir de sexta-feira, capacidade para realizar mais de 1.000 testes diários de diagnóstico de covid-19.

Por sua vez, o Instituto Superior Técnico e a Faculdade de Arquitetura, também da UL, estão a produzir viseiras médicas para os hospitais, com recurso a técnicas de impressão 3D, acrescentou o reitor. 

Numa nota de agenda, a autarquia lisboeta refere que os presidentes da Autoridade Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e da câmara, o reitor da UL e os administradores dos hospitais de Santa Maria, São José e São Francisco Xavier deslocam-se na quinta-feira ao Estádio Universitário para acompanhar os trabalhos de montagem do hospital de campanha que "vai reforçar a capacidade de acolhimento de pacientes infetados com covid-19 na cidade de Lisboa". 

Em Portugal a Covid-19 já provocou 43 mortes, mais 10 do que na véspera, e 2.995 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista 633 novos casos em relação a terça-feira.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados da Covid-19 foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência até 2 de abril, cabendo as forças e serviços de segurança fiscalizar as medidas em vigor.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 19.000 morreram.

/ HCL