No próximo ano, mais de 40 casas da aldeia de Ribeira de Baixo vão desaparecer devido à construção da barragem de Daivões. O processo de expropriações está a revoltar os moradores que consideram insuficientes as indemnizações da Iberdrola

A TVI falou com a família Gonçalves, uma das várias várias famílias que vão abandonar a casa onde vivem e que aceitaram a indemnização da Iberdrola.

"Nós aceitámos, porque senão aceitássemos, a Iberdrola ia meter o dinheiro no tribunal. Com medo, pensei, se fosse a tribunal ainda ia perder dinheiro", diz Glória Gonçalves


Para esta família, o valor da indemnização da Iberdrola não chega aos 78 mil euros. Uma quantia que, garantem, não chega para adquirir um terreno e construir uma casa equiparada àquela onde vivem.

Perante o cenário, a Câmara de Ribeira de Pena vai disponibilizar um terreno municipal para que os moradores afetados possam construir as habitações.

Apesar da medida ser favorável para os moradores, serão os fundos públicos a compensar as indemnizações de uma empresa privada.

A TVI contactou a Iberdrola que, em comunicado, respondeu que a empresa está "a articular, com as autoriades competentes, medidas de compensação, adicionais ao processo de expropriação com base na medida 29 do plano de ação socioeconómico de declaração de impacte ambiental".

Quanto ao processo negocial com os moradores, a Iberdrola admite que "os acordos amigáveis representam 75 % do total, 1.5 % casos de não aceitação e os restantes a problemas de registo predial".

A água vai apagar do mapa parte do património cultural. Alguns dos ex-libris turisticos de Ribeira de Pena vão ser afetados. Além da deslocação da popular ponte de arame, vai também desaparecer a "Ilha dos Amores", um local evocado na obra de Camilo Castelo Branco.
 

/ HCL