As fontes de inspiração (tipicamente portuguesas, por sinal) de Tory Burch têm estado sob um forte escrutínio nos últimos dias: depois da polémica com a camisola poveira, agora também a Bordallo Pinheiro reagiu ao facto de a marca ter à venda peças de cerâmica "inspiradas" nas suas.

Na coleção para casa, a estilista vende peças em cerâmica com inspiração na natureza, mais precisamente em alimentos como vegetais, muito parecidas com as míticas e centenárias louças Bordallo Pinheiro.  

Cá para nós há coisas que valem bem mais que o preço. O apreço pela criatividade, a tradição, a originalidade, a história. Traços que definem quem nós somos enquanto marca e enquanto comunidade.", lê-se na página de Instagram da Bordallo Pinheiro.

Segundo já noticiado pela TVI, a marca da estilista norte-americana comercializa os artigos de mesa a preços bastante mais elevados que as loiças portuguesas, à semelhança do que aconteceu com a camisola poveira, um saleiro, por exemplo, ultrapassa os 75 euros, e há terrinas que se aproximam dos 400 euros de custo

A acompanhar o comunicado, a marca partilhou uma fotomontagem que satiriza a polémica: uma "camisola couveira".

"Por isso a nossa recompensa maior é a vossa preferência, lealdade e reconhecimento do que é autêntico. E o mesmo vale para tudo o que é nosso. Podem tirar a tradição do poveiro, mas nunca tirarão o poveiro da tradição!", reitera a marca.

Administração da Bordallo Pinheiro acusa autoridades de inércia no combate à contrafação

A empresa Bordallo Pinheiro acusou esta sexta-feira as autoridades portuguesas de inércia no combate à contrafação. Nuno Barra, administrador da Bordallo Pinheiro, disse que “não se sente que as marcas estejam protegidas internamente”.

Se Portugal não se dá ao respeito internamente de impor as regras e de controlar as regras, como é que podemos exigir que os outros façam aquilo que nós não fazemos (…). Portugal tem que bater o pé e pôr ordem na casa”, disse Nuno Barra.

“São peças muito inspiradas em Bordallo Pinheiro para não dizer cópias. Elas não são exatamente iguais, mas são muito parecidas”, disse Nuno Barra.

O administrador adiantou que a empresa vai “tomar algumas diligências para proteger a marca”, acrescentando que ainda estão a analisar a situação, mas garante estar mais preocupado com o que se passa no mercado interno, onde diz que a situação está “completamente descontrolada”.

Todos os meses temos problemas por causa da contrafação. Isto causa problemas de concorrência desleal entre os clientes retalhistas que nos compram o produto e causa distúrbios junto do cliente final, porque aparecem peças que são misturadas com Bordallo e o cliente final muitas vezes é enganado e não sabe o que é que está a comprar”, afirmou.

Nuno Barra referiu que há mais de um ano a empresa queixou-se à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e ao Ministério Público (MP), que “são quem garante a proteção das marcas e da propriedade intelectual em Portugal”, e até agora não viram nada a acontecer.

Internamente tem que haver regras e tem que haver atuação. Quando uma marca se queixa de contrafação, um ano e meio depois, alguma coisa tem de se passar”, sublinhou, adiantando esta situação é “altamente prejudicial” e dificulta o processo de recuperação da empresa.

O Estado Português, através do Ministério da Cultura, anunciou esta sexta-feira que pretende acionar meios judiciais para combater a "apropriação abusiva" da camisola poveira, por parte de uma estilista norte-americana.

Veja também:

Em causa está uma 'cópia' da tradicional camisola poveira, peça de vestuário típica da comunidade piscatória local, que foi lançada na coleção da estilista norte-americana Tory Burch, e inicialmente promovida com uma peça de inspiração mexicana.

Após a polémica, a estilista acabou por pedir desculpas.

Rafaela Laja / com Lusa