O cancro do pâncreas é um dos cancros que causa mais mortes no mundo inteiro. Na Europa e nos Estados Unidos, é já a segunda causa de morte, dado que nos últimos anos houve um grande aumento de incidência.

De acordo com o Dr. Carlos Carvalho, diretor da unidade de cancro digestivo do Centro Champalimaud, numa entrevista no Diário da Manhã da TVI, o cancro do pâncreas vai continuar a ser um problema muito importante dado que é um tumor muito difícil de tratar e só é diagnosticado em fases muito avançadas.

Os sintomas são vagos, difíceis de detetar e ainda mais complicados de tratar.

O pâncreas é um órgão profundo que fica mais ou menos entre o estômago e a coluna, uma zona de difícil acesso. Os sintomas são vagos. No entanto, alguns são mais óbvios, em que a pessoa pode ficar amarela, com icterícia, pode perder peso subitamente e o aparecimento de diabetes de forma súbita em pessoas com mais de 50 anos também pode ser um indicador, mas não é fácil fazer um diagnóstico precoce”, afirmou o Dr. Carlos Carvalho.

A fundação Champalimaud criou uma unidade para detetar os fatores de risco deste tipo de cancro e ainda providencia um programa que tenta diagnosticar o cancro do pâncreas com a maior brevidade possível.

Os tratamentos são muito mais eficazes, como em todos os tipos de cancro, numa fase muito precoce. A dificuldade é que o cancro de pâncreas é diagnosticado numa fase mais avançada na maior parte dos casos. Apenas cerca de 10 a 20% dos casos são diagnosticados numa fase em que a cirurgia é possível. Isso mostra a dificuldade que é tratar este cancro que já esta numa fase avançada. Por outro lado, o cancro do pâncreas tem uma resistência muito elevada aos tratamentos, que outros tipos de tumores não têm.”

Os tratamentos que vão ser providenciados pela nova unidade da fundação Champalimaud vão dar prioridade a pessoas que têm antecedentes com esta doença e a indivíduos que têm pancreatites crónicas e quistos no pâncreas. Este grupo de pessoas deve ter um acompanhamento contínuo de forma a tentar diagnosticar o cancro o mais rápido possível.

A fundação Champalimaud vai reunir mais de 70 organizações de 30 países de todo o mundo para discutir o melhoramento e a rapidez de diagnóstico e as formas de tratamento do cancro do pâncreas.