Um acidente com um autocarro de turismo na estrada da Ponta da Oliveira, na ilha da Madeira, provocou 29 mortos e 27 feridos, incluindo o condutor que está em estado de choque. O último balanço foi feito pelo presidente do município de Santa Cruz, Felipe Sousa, à TVI24. O acidente aconteceu pelas 18:30 horas.

Ao que a TVI24 conseguiu apurar no local, junto de fontes policiais, o autocarro da empresa SAM – Sociedade de Automóveis da Madeira, fretado pela Travel One, saiu da unidade hoteleira Quinta Splendida, a poucos metros da zona onde aconteceu o acidente, tendo o acelerador ficado preso, o que fez com que o pesado de passageiros ganhasse uma velocidade excessiva. O condutor fez com que o autocarro embatesse contra uma parede, de modo a tentar imobiliza-lo, mas acabou por se despistar, capotou e caiu em cima de uma habitação.

Na altura do acidente, o autocarro transportava 56 passageiros, tendo 28 delas sido transportadas para o hospital com ferimentos de várias gravidade, dois são de nacionalidade portuguesa, os restantes são de nacionalidade estrangeira. Não há crianças entre os feridos. Segundo o autarca, as vítimas mortais são 11 homens e 18 mulheres, a maioria de nacionalidade alemã, e têm uma média de idades entre 40 e 50 anos.

Os corpos vão ser todos transportados para o Hospital do Funchal e vai ser enviada uma equipa do continente do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses para reforçar o gabinete do Funchal

“O Instituto de Medicina Legal já está a preparar uma equipa que vai de cá para lá, para reforçar o Gabinete Médico-Legal do Funchal”, disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Justiça.

Autocarro relativamente novo

Em conferência de imprensa, Pedro Calado, vice-presidente do Governo Regional, revelou que o autocarro tinha cinco anos e "aparentemente tudo estava em segurança", destacando ser “prematuro” avançar com as causas deste acidente.

"Desde o primeiro minuto, quem tinha de estar no terreno eram as equipas de emergência e de segurança e foi isso que aconteceu. Quer a secretaria regional de turismo, quer as entidades do Governo, estiveram em contacto com as respetivas embaixadas, temos equipas de psicólogos já a acompanhar os feridos quer no hotel - havia um outro autocarro que estava a circular também e que aparentemente alguns familiares e amigos que acompanhavam também precisam de ter algum acompanhamento psicológico - quer no hospital. Temos pessoas a fazer a tradução, temos contactos com a embaixada (...)", afirmou.

Já Pedro Ramos, secretário da Saúde da Madeira, lamentou o acidente mortal, frisando que "todo o apoio está a ser prestado".

"Temos a lamentar 28 pessoas que faleceram. Temos 28 pessoas que foram transportadas para o hospital, que ativou também o seu plano de resposta à catástrofe em função do número de vítimas que é previsível chegar", esclareceu, acrescentando que não está previsto que os feridos sejam transferidos para o continente.

Neste momento, as autoridades ainda estão no terreno para proceder à "remoção dos corpos devido ao elevado número de vítimas mortais".

"É uma operação com alguma demora, mas que deve ser feita com todo o respeito pelos próprios corpos", afirmou José Dias, presidente do Serviço de Proteção Civil da Madeira.

José Dias referiu ainda que foram abertas três linhas de apoio e disponibilizados psicólogos para apoiar os familiares e amigos no hotel, além de tradutores.

Empresa dona do autocarro quer que se apurem causas e responsabilidades

A empresa proprietária do autocarro acidentado hoje da Madeira manifestou “profundo empenho” para que se apurem todos “os factos, causas e responsabilidades” e disponibilidade para colaborar com as autoridades.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a SAM – Sociedade de Automóveis da Madeira, proprietária do autocarro que foi fretado pela Travel One, apresenta as “mais sentidas condolências, a todos os familiares e amigos das vítimas do mesmo”.

É nossa vontade e profundo empenho que se obtenha o absoluto apuramento de todos os factos, causas e responsabilidades do acidente e, desde já, manifestamos que daremos inteira colaboração às autoridades encarregues das investigações que se vão seguir”, afirma.

A empresa manifesta ainda a “total solidariedade para com todas as pessoas feridas no acidente e que se encontram em cuidados hospitalares”.

Num momento de tanta dor estamos especialmente solidários com o sofrimento profundo de todos quantos foram atingidos por este acidente”, acrescenta ainda.

Marcelo cancela viagem à Madeira

O presidente da República tinha anunciado que ia viajar esta noite para o Funchal, mas cancelou a sua viagem assim que soube que o avião da Força Aérea era necessário para transportar os feridos.

"Eu fui muito sensível a essa prioridade, que é a necessidade de os aviões, nomeadamente o avião que ia utilizar da Força Aérea Portuguesa, poder ser utilizado para transportar feridos. E sendo necessários os dois, isso tem prioridade. É muito mais importante haver o acorrer aos feridos do que o Presidente partir hoje", justificou.

A Força Aérea Portuguesa tem três aeronaves prontas a descolar para a Madeira, caso sejam ativadas, na sequência do acidente, disse à Lusa fonte do ramo.

“Neste momento ainda não foram empenhados, mas temos dois aviões Falcon e o avião C 295 prontos a serem empenhados, casos sejam ativados pelas entidades responsáveis. Estão prontos a descolar”, disse fonte oficial da Força Aérea, cerca das 21:50.

Também o primeiro-ministro António Costa já enviou uma mensagem de pesar a todas as famílias envolvidas no acidente.

Ministério Público abriu inquérito

O Ministério Público (MP) determinou a abertura de um inquérito na sequência do acidente que provocou 29 mortos e 27 feridos no Caniço, em Santa Cruz, disse hoje à Lusa a magistrada do MP coordenadora da Comarca da Madeira.

“O MP já tomou todas as medidas que legalmente tem de tomar. Já foi ordenada a abertura de um inquérito e a realização de todas as diligências necessárias à recolha de prova”, afirmou Maria de Lurdes Correia.

Segundo Maria de Lurdes Correia, o MP pediu ainda “apoio à Polícia Judiciária para a identificação dos corpos em colaboração com o Gabinete Médico-Legal e Forense do Funchal”.

O Governo da Madeira decretou três dias de luto regional, a partir de quinta-feira e até sábado, na sequência do acidente.

O Governo Regional reuniu-se hoje, extraordinariamente, tendo deliberado pelo decretar de luto regional durante três dias, a partir de amanhã [quinta-feira], devido ao trágico acidente ocorrido neste final de tarde, no Caniço”, lê-se num comunicado enviado às redações pelo Gabinete da Presidência do Governo Regional da Madeira.