A Fundação AMI congratulou-se esta terça-feira com a distribuição de cabazes alimentares através do Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), mas advertiu que irão ficar de fora desta medida muitas pessoas em situação de carência.

A diretora do Centro Porta Amiga de Almada da Fundação AMI, Maria da Luz Cachapa, comentava desta forma, à agência Lusa, o anúncio do Governo de querer substituir o modelo de cantinas sociais pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo a este fundo comunitário.

Segundo a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, cerca de 60 mil pessoas vão receber cabazes alimentares, que integram na sua composição carne, peixe e legumes congelados, com o objetivo de cobrir as suas necessidades nutricionais diárias em 50%.

“Quando vi estas notícias fiquei um pouco alarmada por considerar que são poucas pessoas que vão beneficiar deste apoio”, disse Maria da Luz Cachapa, considerando que o número de beneficiários “fica muito aquém das reais necessidades dos portugueses”

Segundo a responsável, haverá muitas situações de pessoas que auferem um pouco mais do que está previsto na lei para poderem integrar o FEAC, na ordem dos 200 euros, mas que “são carenciados e precisariam com urgência deste apoio”.

Quando falamos de 200 euros por mês falamos de valores muito baixos. É muito difícil sobreviver” com este valor, frisou.

O FEAC, que substituiu o Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, apoiou mais de 400 mil portugueses em 2015, mas não foi distribuído em 2016.

“No ano passado não tivemos FEAC e sentimos uma grande dificuldade, porque as pessoas precisavam dos alimentos e as instituições tinham muito menos para dar do que era habitual, comparado com os anos anteriores”, disse a responsável, considerando que o retomar do fundo ”é uma medida extremamente importante”.

O retomarmos este apoio para a população será uma resposta bastante benéfica, porque permite às famílias cozinharem nas suas casas e isso é muito importante”, principalmente para as crianças porque lhes dá a “noção de famílias e de partilha efetiva”, defendeu.

Por outro lado, vai haver uma alimentação equilibrada em termos de peixe, de carne, de laticínios, legumes que o fundo comunitário não tinha nos últimos anos, sublinhou

Com esta medida, “há toda uma história familiar que é respeitada, um estilo alimentício que é respeitado e isso é muito bom para a convivência familiar”.

Redação / VF