O Governo anunciou esta terça-feira um reforço das medidas de combate à covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo, a que tem a situação mais grave em todo o país atualmente.

Segundo Carlos Antunes, professor de matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, os concelhos de Lisboa e os limítrofes, como Amadora, Almada, Cascais e Loures, apresentam um aumento da incidência nas populações mais jovem, que começa a chegar agora também às crianças.

Estes concelhos têm um crescimento idêntico a Lisboa", referiu, na TVI24.

Sobre a causa para esta subida dos contágios, o especialista admite que existem vários fatores, mas "do ponto de vista matemático", refere que a subida da incidência, relacionada com os grupos etários que estiveram nos festejos, faz com que este seja um dos principais focos de contágio dos últimos dias.

Estimo por cada dez mil entre quatro a oito pessoas estavam infetadas. Só um ajuntamento com esta dimensão poderia justificar uma alteração da dinâmica nestes grupos etários", afirma.

Perante o avanço da vacinação da população mais idosa, pondera-se que as linhas vermelhas traçadas pelo Governo possam aligeirar, algo que foi confirmado por Carlos Antunes, e que estará em discussão esta sexta-feira na reunião entre especialistas e autoridades, no Infarmed.

O matemático diz que esta revisão está a ser pensada há um mês, e garante que não é por Lisboa estar numa situação mais difícil que o Governo vai modificar as linhas vermelhas.

Se não conseguirmos conter este aumento, a incidência atinge em Lisboa os 240 casos. Se as regras não mudarem, terão de ser aplicadas as mesmas regras que aos outros municípios, a não ser que haja uma alteração, que não é só para Lisboa, é para o país todo. Não é por Lisboa que essa discussão das lineares está a ser feita", garante.

Lisboa tem atualmente mais de 120 casos por 100 mil habitantes, o limite definido pelo Governo para que os concelhos possam continuar em desconfinamento.

Esta semana deve entrar para a lista de concelhos em alerta, o que pode levar a um recuo no processo de reabertura da sociedade na próxima semana, caso a segunda avaliação volte a ficar acima do limite.

António Guimarães