De acordo com o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo, é já na próxima terça-feira que o "novo normal" se volta a aproximar da normalidade antiga.

A terceira fase de desconfinamento, marcada para dia 19 de abril, significa a reabertura de todas as lojas, incluindo centros comerciais, restauração, cinemas, teatros, salas de espetáculo e o regresso às aulas presenciais para os alunos do ensino secundário e superior.

Neste momento, existem três hipóteses em cima da mesa para a reabertura económica do país: avançar, suspender ou retroceder. O Governo parece estar inclinado para dar início à última etapa do desconfinamento, mas continua atento ao ritmo com que a incidência vai aumentar até lá.  

No entanto, esta será sempre "uma decisão política", pelo menos é o que considera o matemático Carlos Antunes. O professor da Faculdade de Ciências, da Universidade de Lisboa, alerta que seria prudente "adiar uma semana"  a reabertura total, lembrando que “se nos precipitarmos e errarmos, depois pode ser tarde”.

Esperar uma semana dar-nos-ia mais capacidade de análise, de perceção da evolução da incidência e poderíamos conter esta progressão que o R(t) está a ter, desde meados de fevereiro, a um ritmo atual de uma centésima por dia. Daqui a dez dias estaremos com 1,15 e isso é uma taxa de transmissibilidade muito elevada, que pode conduzir a uma súbita subida do número de casos e atingirmos rapidamente entre os 120 e os 240 casos”, explica Carlos Antunes.

O especialista realça que sempre que Portugal dá um novo passo no desconfinamento "corremos sempre um risco" e nunca "estamos livres de um aumento considerável de incidência".

Carlos Antunes reitera que é essencial "um processo de testagem massiva" e um reforço das medidas de proteção individual, como o uso de máscara e o distanciamento físico, “para garantir que possamos continuar com o desconfinamento". De acordo com o matemático, estas são as únicas soluções que permitem "compensar o aumento de contactos causado pelo aumento de mobilidade do desconfinamento”.

Ainda assim, o professor catedrático acredita que caso os dados pandémicos se mantenham termos alguma margem de manobra. Mas, alerta que o número de pacientes internados nas unidades de cuidados intensivos ainda não é o desejável e que ser uma vulnerabilidade nacional.

Os indicadores dão-nos algum nível de conforto, porque estamos com uma incidência comparável a setembro do ano passado. O R(t) também está muito semelhante, embora estejamos com um número de doentes em cuidados intensivos mais elevado”, indica Carlos Antunes.

 

Nuno Mandeiro