O relatório é confidencial e tem a cor encarnada, o grau mais elevado de criticidade, que indicia a prática de crime. O caso manteve-se em segredo até hoje e nunca chegou a ser denunciado às autoridades.

Zeinal Bava era o presidente do Conselho de Adminsitração da PT, Rui Pedro Soares era o presidente do Conselho de Administração da PT ACS - Associação de Cuidados de Saúde da Portugal Telecom, e Carlos Batista era o administrador delegado da Associação de Saúde da Portugal Telecom, um verdadeiro império com mais de 42 mil beneficiários, oito centros clínicos, dois núcleos de estomatologia e um de oftalmologia, distribuídos por todo o país.

Até ontem, segunda-feira, era o presidente da ADSE, o maior subsistema nacional de proteção na doença dos funcionários públicos. Até ser confrontado com a investigação da TVI geria qualquer coisa como 573 milhões de euros anuais.

O mesmo homem que é visado numa auditoria que alerta para o desvio de dinheiros e favorecimento de empresas contratadas pelo próprio Carlos Batista.

As irregularidades apontadas neste relatório indiciam a práctica de vários crimes e poderão envolver, pelo menos, cerca de cinco milhões de euros.

A auditoria é arrasadora e concluiu que, dos cerca de 50 fornecedores e prestadores de serviços de saúde, em 40 foram detetadas irregularidades: empresas fantasma que não comprovaram a prestação de serviços; inexistência de processos de consulta ao mercado para aquisição de bens e serviços; ou até mesmo, empresas cujos sócios eram colaboradores da própria PT ACS.

Em comum, um único nome e uma única assinatura nos contratos: Carlos Batista, o homem que decidia tudo na PT ACS.

 A bronca rebenta internamente e os contratos são anulados com estas empresas. Carlos Baptista sai, no entanto, discretamente da PT ACS. De forma imaculada, mas há quem diga que havia muita gente a saber os verdadeiros motivos da sua saída.

A verdade é que, pela mão de governos diferentes, continua a ser convidado para gerir milhões. Depois da PT ACS, segue-se o Instituto de Ação Social das Forças Armadas, onde coordenou o subsistema de saúde dos militares.

Aguiar-Branco, na altura ministro da Administração Interna do governo de Passos Coelho, garante que o nome foi sugerido pela equipa do Ministério da Saúde.

"A sugestão do nome do Dr. Carlos Batista, resultou de uma indicação recolhida junto da equipa do Ministério da Saúde", disse à TVI.

Mas Paulo Macedo, ministro da Saúde, nega qualquer envovlimento.

"Só conheci o Dr. Carlos Batista, depois da sua nomeação e entrada em funções na ADSE em 2015, pelo que nunca sugeri o seu nome para qualquer cargo."

Das Forças Armadas para a ADSE pela mão de Maria Luís Albuquerque. Carlos Batista passa a gerir as contribuições de mais de 1,2 milhões de beneficiários.

Com o governo de António Costa, vê os seus poderes reforçados e passa a ficar à frente do novo Instituto de Proteção e Assistência na Doença.

O ministro da Saúde garante que não conhecia o conteúdo da auditoria, nem tão pouco, as verdadeiras razões da sua saída da PT ACS.

À pergunta da TVI, se iria demitir o homem da ADSE, responde com o pedido de renúncia de Carlos Batista antes mesmo desta reportagem ser emitida.