«O forte agravamento do desemprego, em segundo lugar a contenção dos rendimentos, cortes nas pensões e salários e um terceiro aspeto, a redução dos apoios sociais, que entre 2010 e 2013 foi particularmente gravosa para as crianças», defendeu.

Na opinião do economista, os cortes nas prestações sociais atingiram «fortemente os indivíduos mais pobres», em particular as crianças, e deu como exemplo as alterações feitas à atribuição do Rendimento Social de Inserção, que fizeram com que «o peso das crianças passasse a valer menos», penalizando mais «as famílias com crianças e em particular as famílias alargadas com crianças».

«Há claramente um problema que qualquer política séria que vise reduzir com a pobreza em Portugal tem de começar por aí e encontrar medidas para acorrer em primeiro lugar às famílias com crianças», defendeu, acrescentando que Portugal precisa de uma «estratégia consistente de combate à pobreza».

Opinião partilhada pelo presidente da Cáritas Portugal, segundo o qual a pobreza infantil está a aumentar na Europa, com Portugal «na linha da frente».

«Quando falamos de pobreza infantil é preciso ter a noção de que não estamos a falar de uma pobreza isolada de outras, porque uma criança pobre é pobre porque está numa família pobre», apontou Eugénio Fonseca.

Nesse sentido, defendeu que o combate à pobreza infantil só pode ser feito se forem encontradas respostas que «levem à erradicação da pobreza na sua vertente mais ampla».

«A pobreza infantil compromete o futuro, porque mesmo que possamos ir resolvendo problemas de carência alimentar, e tem havido um esforço muito grande para que isso aconteça, nós temos que ver e fazer a analogia entre o aumento da pobreza, os níveis de insucesso escolar e de abandono escolar», alertou.