Portugal já conseguiu controlar os dados epidemiológicos da terceira vaga da pandemia de covid-19. No entanto, o número de internamentos em enfermarias e em unidades de cuidados intensivos continua a ser superior ao que se registava antes do Natal.

A discussão centra-se agora se o país deve de dar início ao processo de desconfinamento. Os especialistas alertam que a saída do confinamento deve ser feita de forma ponderada e só quando a pressão nos internamentos voltar a baixar

Raquel Varela, investigadora do Observatório para as Condições de Vida na Universidade Nova de Lisboa, considera que o manter o confinamento é “impensável” e alerta para os danos do mesmo na saúde mental e económica dos portugueses.

Tem um efeito absolutamente destrutivo sobre a saúde mental e económica”, refere Raquel Ventura.

 

A economista Maria João Marques acredita que é falacioso olhar-se para o combate à pandemia de covid-19 como uma escolha entre a economia e a saúde.

A especialista dá os exemplos da China, Tawain ou Nova Zelândia, que foram capazes de controlar a propagação do SARS-CoV-2 e que já restabeleceram, praticamente, as economias.

A dicotomia entre economia e saúde é falaciosa”, explica Maria João Marques.

 

Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explica que, pelos dados epidemiológicos atuais, Portugal poderia começar a desconfinar.

Contudo, o número de internamentos e de doentes nos cuidados intensivos continua demasiado elevado para viabilizar um desconfinamento seguro.

Ao nível de internamentos ainda não atingimos os valores de pré-Natal”, revela Carlos Antunes.

 

Carlos Neto, investigador da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, considera que já existe um consenso que as escolas serão prioritárias no desconfinamento e alerta que as famílias e as crianças estão exaustas.

As famílias e as crianças estão exaustas”, disse Carlos Neto.
 

João Gouveia, presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, entende que é cedo para desconfinar todo o país, devido ao número de doente internados em enfermarias e unidades de cuidados intensivos.

Não temos condições para fazer o desconfinamento total”, reitera João Gouveia.

 

Carlos Neto culmina por alerta para o efeito potenciador do sedentarismo do condinamento nas crianças e adolescentes.

A maior pandemia que estamos a viver, em crianças e jovens, é o número de horas que estão sentados”, culmina Carlos Neto.

 

Nuno Mandeiro