O empresário português Carlos Rafael, acusado de capturar e vender espécies protegidas de peixe nos EUA, confessou esta quinta-feira a culpa em tribunal e vai conhecer a sentença no dia 27 de junho.

Esta é a verdade. Hoje, confessei a culpa das acusações que enfrento. Não estou orgulhoso das coisas que fiz que me trouxeram até aqui, mas admiti-las foi a coisa certa a fazer e estou preparado para enfrentar as consequências das minhas ações", lê-se num comunicado divulgado pelo seu advogado.

Carlos Rafael confessou os crimes de falsificação de quotas de pesca, fuga aos impostos e conspiração e o seu caso não segue para julgamento, por ter chegado a acordo com a acusação.

No total Carlos Rafael era acusado de 27 crimes. Se o seu caso para julgamento e fosse, por exemplo, condenado pelo crime de categorizar o peixe de forma errada podia perder todo o seu negócio.

Depois da confissão dos crimes, a acusação pediu uma pena de prisão de 46 meses, mas a decisão final cabe ao juiz do caso e será conhecida a 27 de junho.

No comunicado, Carlos Rafael lembra que começou este negócio quando tinha apenas 16 anos e diz que "tem sido uma honra trabalhar com as pessoas do porto de New Bedford".

Olhando para trás, tenho mais orgulho nas centenas de postos de trabalho e negócios que criei e as oportunidades que criaram para as famílias. Hoje, tenho um único objetivo: proteger os nossos funcionários e todas as pessoas e negócios que dependem das consequências das minhas ações", explicou.

Rafael termina o comunicado afirmando que vai "fazer tudo o que seja possível para que New Bedford continue o principal porto de pesca da América".

O imigrante da ilha do Corvo é dono de uma das maiores operações de pesca comercial do noroeste americano, a Carlos Seafood Inc, e vai aguardar a leitura da sentença em liberdade, depois de ter pago no ano passado uma caução de um milhão de dólares (cerca de 930 mil euros).

De acordo com a acusação, o empresário, de 64 anos, conhecido por "codfather" (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme Padrinho em inglês) mentiu durante anos às autoridades sobre as quantidades e espécies de peixe capturadas pela sua frota para contornar quotas de pesca sustentável.

Rafael venderia depois o peixe por "sacos de dinheiro" a um vendedor por atacado de Nova Iorque.

Ainda segundo a acusação, o empresário usava compartimentos falsos para transportar o peixe e usava rótulos errados para evitar as quotas. O mesmo canal garante que a investigação ainda decorre e mais detenções podem acontecer.

A investigação, que envolveu o fisco dos EUA, os serviços de investigação da Guarda Costeira e a Organização Nacional dos Oceanos e Atmosfera, começou depois de Rafael colocar o negócio à venda no ano passado.

Quando dois agentes à paisana se fizeram passar por potenciais compradores, o português confessou a operação "fora dos cadernos".

Em janeiro de 2016, Rafael e a sua contabilista explicaram o passo-a-passo da operação, a que se referiam como "a dança", durante uma reunião com os falsos compradores.

No encontro, Carlos Rafael afirmou que tinha ganhado 668 mil dólares (cerca de 614 mil euros). Os investigadores acreditam que parte do dinheiro foi desviada para Portugal através do aeroporto de Boston.

O julgamento de António Freitas, o alegado cúmplice de Carlos Rafael no Departamento do Xerife de Bristol, está agendado para 15 de maio.