O 128.º curso de Comandos começa sexta-feira nas instalações militares da Carregueira, em Sintra, mantendo a exigência no treino, mas com algumas mudanças que o Exército considera garantirem mais condições de segurança para os recrutas.

O Exército não aligeirou o curso de Comandos. Os objetivos são os mesmos, as provas são rigorosamente as mesmas, o que há é melhor gestão a vários níveis. Vamos ter comandos tão bem preparados como sempre tivemos", frisou o porta-voz do ramo, tenente-coronel Vicente Pereira, em declarações à agência Lusa.

Em primeiro lugar, a equipa de 19 instrutores é nova. Nenhum dos anteriores instrutores dará formação no curso que começa sexta-feira, seguindo uma "orientação clara" do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

A aprovação de um documento atualizado com as linhas mestras da formação - referencial - foi uma das principais recomendações da Inspeção Técnica Extraordinária realizada ao 127.º curso, que ficou marcado pela morte dos recrutas Hugo Abreu e Dylan Araújo.

Exames para "despistar qualquer dúvida"

Uma das primeiras mudanças foi o reforço do sistema de informação clínica. Desta vez, o Exército quis garantir que dispõe de todos os dados clínicos relevantes sobre os candidatos, que são 106, para saber com mais certeza se existem fatores impeditivos de realizarem o curso.

Para isso, além das consultas e exames habituais no âmbito do acesso ao curso, o Exército contatou o centro de saúde militar de Coimbra e o Hospital das Forças Armadas solicitando a "informação relevante" de cada um dos candidatos.

Passou a haver mais quantidade de exames até despistar qualquer dúvida", frisou Vicente Pereira.

Quanto às provas físicas de acesso, "mantiveram-se exatamente iguais, sem baixar o patamar de exigência", disse.

Durante o curso, o Exército aumentou de dois para quatro o número de médicos disponíveis e, por outro lado, deu formação específica aos instrutores sobre "fisiologia do esforço" para fiquem mais habilitados a perceber os sinais de exaustão ou falência.

Gestão de risco

De acordo com o porta-voz, a formação prestada na Escola Preparatória de Quadros aos formadores do curso de Comandos também foi reforçada no sentido de haver maior rigor no cumprimento das orientações estabelecidas superiormente.

O que nós melhorámos foi a gestão do risco, a gestão do esforço e da recuperação", sublinhou Vicente Pereira.

O referencial da formação passou a prever uma "melhor gestão", por exemplo, da quantidade de água que é fornecida em cada dia, sendo certo que, frisou, "tal como nos cursos anteriores, se um militar necessita de mais água, não poderá ser-lhe negada".

A "gestão do risco" visa conseguir mais equilíbrio entre "esforço e recuperação", o que implica "distribuir melhor" as horas de sono, da alimentação e da água a ingerir.

A duração do curso de Comandos passou de 12 para 16 semanas, por ter integrado na formação as primeiras quatro semanas de "estágio" de preparação física antes do ingresso, terminando em meados de julho.

Mortes, processos e arguidos

As mortes dos dois militares estão a ser investigadas num processo criminal que resultou até ao momento em 18 arguidos. A conclusão do inquérito deverá ocorrer até às férias judiciais de verão.

No processo de averiguações interno, foram instaurados três inquéritos disciplinares, em fase de conclusão, cujo desfecho ainda não foi divulgado pelo Exército.

Os Comandos são uma tropa especial do Exército, constituindo "forças de combate ligeiras, não blindadas, vocacionadas para operações convencionais de natureza eminentemente ofensiva", lê-se no site do ramo.

A "capacidade de projeção imediata, uma elevada capacidade técnica e tática, grande flexibilidade de emprego e elevado estado de prontidão, capitalizando a surpresa, velocidade, violência e precisão do ataque, como fatores decisivos", são as características desta tropa.

/ PD