Os moradores de Sacavém, no concelho de Loures, dispõem desde o início desta semana de uma carreira da Carris que liga aquela cidade à zona da Baixa de Lisboa, uma antiga reivindicação da população que foi hoje inaugurada.

A carreira 708 da Carris entrou em funcionamento na terça-feira e faz a ligação entre a Praça da República, em Sacavém, e a Praça do Martim Moniz, no centro da cidade de Lisboa.

A inauguração formal desta carreira foi assinalada ao início desta tarde, numa cerimónia que juntou os presidentes das Câmaras Municipais de Lisboa (Fernando Medina) e de Loures (Bernardino Soares), que realizaram uma curta viagem entre Sacavém e a Estação do Oriente (Lisboa).

No final da iniciativa, os autarcas sublinharam a importância que esta carreira vai ter para os habitantes dos dois municípios, mas também destacaram o futuro da mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

Nós temos estado a trabalhar na resolução destas questões pontuais e que a Carris pode, com ganho para todos, servir melhor as populações e estamos a trabalhar noutro projeto que é um concurso para uma marca única, que será a Carris Metropolitana”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

O autarca socialista sublinhou que a futura empresa metropolitana irá contemplar um sistema integrado de horários, que permitirá aumentar em 40% a atual oferta.

Contudo, Fernando Medina ressalvou que até à criação desta empresa serão feitos “ajustes à oferta”, como é o caso da carreira 708 em Sacavém.

Já o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), manifestou-se satisfeito com a “concretização de uma antiga reivindicação dos moradores de Sacavém, que assim passam a ter mais uma alternativa para se deslocarem para Lisboa.

Esta extensão da Carris a Sacavém era ansiada e vai ter um efeito concreto positivo para a mobilidade das pessoas de Sacavém e de toda a zona oriental do concelho”, apontou.

O autarca comunista aproveitou para reiterar a necessidade do metropolitano de Lisboa ser estendido ao concelho de Loures, sublinhando que as necessidades de mobilidade “não se resolvem só com transporte rodoviário”.

Estamos a trabalhar na AML sobre os grandes investimentos nos meios de transporte pesados para o próximo quadro comunitário. Para já há uma grande falha no concelho de Loures”, lamentou.

Por seu turno, em declarações à agência Lusa, o coordenador da Comissão de Utentes dos Transportes Públicos de Sacavém, Fernando Vaz, considerou que a carreira 708 representa um “pequeno contributo para aumentar a mobilidade na cidade”, mas defendeu a requalificação da estação de comboios da cidade.

A oferta não é correspondente e está circunscrita à rodoviária e com horários desregulados. Temos uma estação da CP que fica afastada e totalmente degradada. Sabemos que a realização das Jornadas Mundiais da Juventude (2022) irá obrigar necessariamente a uma requalificação desta estação, mas ainda faltam dois anos”, atestou.

/ HMC