Um militar da GNR dos Carvalhos, em Gaia, foi acusado pelo Ministério Público de informar comerciantes de ações de fiscalização, aceder a bases de dados e não reportar furtos, nem a identidade dos seus autores, a troco de dinheiro.

Segundo informação disponibilizada esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto, na sua página oficial, o despacho de acusação data de 15 de julho de 2020 e indicia o militar de 17 crimes, nomeadamente dois de corrupção passiva, um de favorecimento pessoal, um de prevaricação, dois de falsificação de documento, sete de abuso de poder e quatro de acesso ilegítimo.

Além deste arguido, o processo envolve mais sete pessoas, uma das quais a sua companheira, suspeita de setes crimes: um de corrupção ativa, um de abuso de poder, um de falsificação de documento, um de extorsão na forma tentada, um de lenocínio e dois de condução sem habilitação legal.

Segundo a acusação, em maio de 2018, o militar anuiu ao pedido que a sua mulher lhe fez de a avisar da saída da patrulha da GNR para ocorrências, no momento em que uns conhecidos da mesma estivessem a assaltar uma casa, a troco de 10.000 euros.

Além disso, nunca este reportou a intenção de prática deste crime, nem a identidade dos autores do furto, sublinha a PGD do Porto.

Em junho, julho e outubro de 2018, bem como em março 2019, acedeu, fora do exercício das suas funções, a bases de dados para fornecer a terceiros que lhos pediam elementos dessas, num caso a troco de contrapartida, refere.

Em novembro de 2018 elaborou um auto de notícia distorcendo propositadamente a realidade relativamente a alguns elementos factuais, com o fito de beneficiar uma pessoa que o contactara”, adianta a procuradoria.

O militar está ainda indiciado por avisar a sua companheira da localização dos seus colegas, evitando que esta fosse fiscalizada dado não ter carta de condução, assim como de alertar em novembro de 2019 um comerciante da realização de uma operação da GNR que envolvia buscas para apreensão de máquinas de jogo e tabaco, ressalva a PGD do Porto.

A somar a estes dois arguidos, militar da GNR e companheira, estão mais seis pessoas, acusadas de corrupção ativa, falsificação de documentos e extorsão na forma tentada, sustenta.

/ Publicado por MM