A rotura iminente do dique periférico do rio Mondego junto a Montemor-o-Velho está a obrigar, este domingo, à evacuação da zona baixa da localidade do Casal Novo do Rio, anunciou a Câmara.

Alertamos a população da zona suscetível a cheias da vila de Montemor-o-Velho para o risco muito elevado de cheia. Aconselhamos que acautele os seus bens e os seus animais, se proteja e recolha uma muda de roupa, medicação e documentos de identificação para a eventual necessidade de, em caso de emergência, evacuação das zonas sensíveis”, refere a informação da Câmara.

Momentos antes desta informação, a Câmara de Montemor-o-Velho lançou um alerta para as populações das zonas baixas da vila e ainda de Casal Novo do Rio e Ereira, na sequência do caudal elevado do Rio Mondego.

Alerta-se a população das zonas baixas historicamente sensíveis a cheias de Montemor-o-Velho, Casal Novo do Rio e Ereira para tomarem medidas de prevenção e autoproteção devido ao risco elevado de cheia”, refere uma informação enviada por email da Câmara.

O município aconselha ainda a que se “acautele bens e animais”. Além disso, a autarquia apela à população para que “se proteja e recolha uma muda de roupa, medicação e documentos de identificação para a eventual necessidade de, em caso de emergência, evacuação das zonas sensíveis”.

Pede ainda a Câmara calma e vigilância, e que as pessoas façam “uma lista e recolham os objetos importantes e necessários, nomeadamente documentos de identificação e medicamentos”.

Em caso de necessidade, deve a população dirigir-se para o Pavilhão Municipal de Montemor-o-Velho ou para a Associação Cultural Desportiva e Recreativa da Ereira.

A GNR, por volta das 16:50, retirou da zona do Casal Novo do Rio e Ponte das Lavandeiras as dezenas de pessoas que estavam naquela zona a ver os estragos.

Autoridades avaliam possibilidade de reforço estrutural do dique

A Câmara de Montemor-o-Velho está a analisar a possibilidade de reforçar o dique periférico direito que está em perigo de rotura.

O presidente da Câmara, Emílio Torrão, disse que “foi detetado um pequeno aluimento com escorrência na margem esquerda do dique periférico direito” e que, por isso, “a Câmara mandou evacuar a povoação de Casal Novo do Rio”.

Existe perigo, por isso mandei evacuar. A água que está acumulada no vale central [zona agrícola entre o canal principal do Rio Mondego e o leito periférico direito] está a fazer pressão sobre o dique e existe perigo de rompimento”, explicou.

Esta zona não é acessível por meios terrestres e terá uma profundidade de 10 metros.

A água que está a entrar no buraco do dique que colapsou no sábado, junto a Formoselha, está a canalizar 400 a 500 m3 por segundo para o vale central, que agora pressiona este leito periférico direito.

Já o comandante distrital de operações de socorro de Coimbra, Carlos Luís Tavares, disse que as autoridades estão a avaliar a situação.

Neste momento, não há como dizer que estamos a correr qualquer risco, mas estas escorrências podem provocar alguma fragilidade à margem do dique e criar rotura. Como havia grande concentração de pessoas na zona, foi dada ordem à GNR para as retirar dali”, sintetizou.

O projetista daquela obra vai estar hoje em Montemor-o-Velho para se reunir com as autoridades e analisar a situação.

Os fortes efeitos do mau tempo, que se fizeram sentir desde quarta-feira, já provocaram dois mortos, um desaparecido, deixaram 144 pessoas desalojadas e 320 pessoas deslocadas por precaução, registando-se mais de 11.200 ocorrências no continente português, na maioria inundações e quedas de árvore.

Só no sábado, registaram-se mais de 1.700 ocorrências.

O mau tempo provocado pela depressão Elsa, entre quarta e sexta-feira, a que se juntou no sábado o impacto da depressão Fabien, provocou também condicionamentos na circulação rodoviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

/ MM - Atualizada às 18:49