A directora do Estabelecimento Prisional de Odemira, onde Leonor Cipriano está presa, negou esta quinta-feira, no Tribunal de Faro, «ter dado ordens» ou «sugerido» a um subalterno para alterar um relatório sobre as alegadas agressões à mãe de Joana, noticia a Lusa.

«Não sugeri, nem dei a entender nada para alterar o relatório sobre Leonor Cipriano», declarou Ana Maria Calado, quando questionada pelo advogado do ex-inspector da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral, António Cabrita, se teria pedido a algum funcionário para alterar um relatório sobre as alegadas agressões de inspectores da PJ a Leonor Cipriano, no âmbito das investigações ao desaparecimento da sua filha, Joana.

Em Outubro, na segunda sessão do julgamento dos elementos da PJ que estão a ser julgados sobre as alegadas agressões a Leonor Cipriano, uma das testemunhas, um guarda prisional de Odemira, afirmou que a directora da prisão tinha comentado que o melhor seria alterar um relatório que elaborou sobre a mãe da menina, que está a cumprir uma pena de 16 anos de prisão naquele estabelecimento prisional pelo assassínio da filha.

«Acha que ela caiu pelas escadas?»

«Acha que isto é correcto? Acha que ela caiu pelas escadas?», terá questionado Ana Maria Calado, superior hierárquica do guarda prisional António Maia, que afirmou que «posteriormente a um relatório que escreveu sobre as lesões de Leonor», a directora «fez comentários para alterar a informação».

No relatório, o guarda prisional do Estabelecimento Prisional (EP) de Odemira António Maia afirmou que Leonor Cipriano explicou as escoriações que trazia no rosto com uma «queda nas escadas» das instalações da Judiciária de Faro na sequência de uma «tontura» após um dia de interrogatório.

As declarações do guarda prisional levaram a que o advogado de defesa de quatro inspectores da Judiciária, Pragal Colaço, pedisse ao tribunal de júri uma «extracção de certidão integral do depoimento de António Maia para efeitos de procedimento criminal contra a directora do EP de Odemira, Ana Maria Calado».

Caso remonta a 2004

O «caso Joana» remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, concelho de Portimão, Algarve, e cuja mãe, Leonor Cipriano, e o tio João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.

Antes de estar a cumprir a pena na prisão de Odemira, a mãe de Joana esteve presa preventivamente e foi inquirida diversas vezes por inspectores na Directoria de Faro da PJ.

As acusações do Ministério Público contra os inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro e três inspectores estão acusados de crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento.
Redação / HB