Elementos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) impediram a entrada de agentes da PSP na sala dos Médicos do Mundo onde estava o corpo, já sem vida, do imigrante ucraniano Ihor Homeniuk, tal como terão impedido ainda que o cadáver fosse acompanhado até ao Instituto de Medicina Legal, apurou a TVI.

O Ministério Público está a investigar estas suspeitas, apesar de a Polícia de Segurança Pública não ter denunciado a situação.

Foi ao final da tarde de 12 de março do ano passado que o óbito de Ihor Homeniuk foi declarado. O corpo estava na sala dos Médicos do Mundo, pertencente ao Centro de Instalação Temporária de Imigrantes, um organismo sob a alçada do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Mas as instalações ficam no interior do Aeroporto Humberto Delgado, cuja jusrisdição pertence à PSP. 

Ao que a TVI apurou, houve um conflito institucional entre SEF e PSP. Elementos do SEF impediram os agentes da Polícia de Segurança Pública de entrar nas instalações e de ver o corpo do cidadão ucraniano, tal como não foi a PSP a acompanhar o transporte do cadáver até ao Instituto de Medicina Legal. 

Por outro lado, da parte da Polícia de Segurança Pública não houve participação da ocorrência nem de que tinha havido  uma morte naquelas instalações. 

Tudo isto está já a ser investigado pelo Ministério Público. Os procuradores querem saber quem do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras impediu o acesso da PSP e quem da Polícia de Segurança Pública deixou cair o assunto sem reportar. 

Mais um facto para juntar ao inquérito que decorre da certidão extraída do processo do homicídio e investiga alegados crimes como omissão. 

Recorde-se que a causa declarada e assumida pelos serviços foi morte natural, só durante a autópsia é que o médico legista percebeu que as lesões no corpo eram compatíveis com agressão. O que fez desencadear toda a investigação que está agora em julgamento, com três inspetores acusados pelo homicídio do cidadão ucraniano,

Henrique Machado