O presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, revelou esta sexta-feira, na conferência de imprensa sobre a Covid-19, que ainda não se sabe se a vacina para combater o novo coronavírus vai ser ou não de uma só dose. 

Segundo Rui Santos Ivo, este "é um processo que está a ser feito com muita antecipação" e "o que está a ser feito é apoiar o processo de desenvolvimento das vacinas e depois a sua distribuição".

“Há três fatores muito importantes: o primeiro é o tempo – quando vamos dispor das vacinas; o segundo tem a ver com as características das vacinas; e o terceiro diz respeito às próprias condições de acesso às vacinas. O que este processo visa é criar um portefólio de opções que nos permita depois dar uma resposta”, afirmou, acrescentando: “Teremos de ter vacinas em diferentes prazos, não vão surgir todas ao mesmo tempo”.

Também Graça Freitas afirmou que vai ser dada prioridade a grupos vulneráveis e aos cuidadores e que ainda não há certezas quanto às doses da vacina.

"Vão ser estabelecidos aquilo a que se chama de grupos prioritários para a vacinação e estes grupos são definidos por especialistas, mas a primeira linha de consideração é o tipo de vacina e as características dessa vacina. São definidos por especialistas e vão ter a primeira linha de consideração o tipo da vacina e saber a que grupos específicos essa vacina se destina, grupos etários por exemplo. A prioridade vai para os grupos vulneráveis e para os cuidadores", afirmou a diretora-geral da saúde.

Questionada sobre quais seriam os grupos prioritários, Graça Freitas explicou que essa seleção depende das características da vacina, designadamente se está direcionada para grupos etários específicos ou para patologias específicas.

E exemplificou: “As pessoas em maior risco são as imunossuprimidas, mas imagine que numa determinada vacina covid-19 vem que o fator imunossupressão não permite que a pessoa vacinada desenvolva anticorpos. Nesse caso, não vamos priorizar esse grupo”.

Também dependente do tipo de vacina está o número de doses a administrar, podendo ser necessário que cada pessoa seja vacinada duas vezes.

“Muitas vezes, quando uma vacina é dada pela primeira vez, e é o caso da vacina contra a covid-19, é necessário aquilo a que chamamos de reforço. Mas há outras vacinas que, pelas características da sua fabricação, já podem ter a capacidade de, com uma única dose, darem a imunidade”, explicou a diretora-geral.

A decisão quanto à vacinação ser ou não obrigatória, Graça Freitas esclarece que a decisão "não está fechada" e que isso depende das características da vacina.

"A lei portuguesa permite que se torne a vacina obrigatória para defesa da saúde pública", afirmou, acrescentando que em Portugal a vacinação será “universal e gratuita”.

“Se a vacina for, de facto, muitíssimo eficaz e o valor acrescentado para a saúde pública for muito grande, pode ser considerada uma metodologia de obrigatoriedade de vacinação”, explicou, acrescentando que se se tratar de uma vacina com um grau de eficácia menor, a decisão poderá ser diferente.

Já o Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, diz que a aquisição corresponde a uma quantidade de 690 mil doses e que a distribuição deverá começar a ocorrer a partir do final do ano.

“Mas sempre dependente da avaliação da Agência Europeia do Medicamento e da autorização da vacina a nível europeu”.

Situação dos lares mantém “alguma estabilidade”

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, começou a conferência de imprensa por fazer um ponto de situação do número de testes feitos em Portugal.

Garantindo que "não houve uma diminuição de testagem" por ser agosto, Lacerda Sales revelou que desde 1 de março foram feitos cerca de 1.9 milhões de testes e que está a ser feita uma média de 13.600 testes por dia. 

“Desde 01 de março foram feitos cerca de 1,9 milhões de testes de diagnóstico à covid em Portugal. Apesar de ser um período de férias por excelência, em agosto, não houve um decréscimo da testagem”, explicou, detalhando a distribuição dos testes: “47,4% dos testes são feitos em laboratórios públicos, 40,5% em laboratórios privados e 12,1% em laboratórios da academia e militares. Esta rede será, porém, expandida no âmbito da estratégia integrada outono-inverno”.

Quanto à situação dos lares, o secretário de Estado da Saúde diz que mantém “alguma estabilidade”, havendo 70 lares com casos de Covid. No total, estão infetados 532 utentes e 229 profissionais destas unidades e 102 utentes estão internados em hospitais.

“A situação destes utentes em idades mais avançadas inspira sempre cuidados acrescidos e por isso continuamos a acompanhar os surtos com atenção no terreno num trabalho em parceria com a Segurança Social, as instituições e as autarquias”.

Lacerda Sales esclareceu ainda que não é feita distinção entre lares legais e lares ilegais, assegurando que autoridades continuam “a acompanhar com atenção os surtos no terreno”, valorizando o trabalho em articulação com a Segurança Social, as instituições e as câmaras municipais.

Portugal contabiliza pelo menos 1.792 mortos associados à covid-19 em 55.211 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Andreia Miranda