O maior jazigo particular da Europa, com 200 corpos e restos mortais, e militares sepultados na vertical são algumas «curiosidades» de alguns cemitérios de Lisboa, como o dos Prazeres, museu a «céu aberto» visitado por milhares de turistas.

Os cemitérios, muito visitados no Dia de Todos-os-Santos (01 de Novembro), também são frequentados anualmente por milhares de turistas que gostam de apreciar a estatuária, a simbologia fúnebre, muitas vezes maçónica, e a heráldica dos jazigos, mas também desfrutar a calma e tranquilidade transmitida naqueles espaços.

Só este ano, até Outubro, o cemitério dos Prazeres foi visitado por 4.920 turistas - mais do dobro dos visitantes de 2006 (2.387) -, a maioria dos quais alemães (2491), seguindo-se os portugueses (930), franceses (298), holandeses (277), ingleses (171) e belgas (107), segundo números avançados à agência Lusa pelo aquitecto Carlos Casimiro, da Divisão de Gestão Cemiterial da Câmara de Lisboa.

Licínio Fidalgo, responsável pela área cultural dos cemitérios, adiantou que o aumento do números de visitantes deveu-se à abertura da Capela dos Prazeres.

«Sendo o cemitério dos Prazeres, um local referenciado no roteiro mundial de turismo, é bastante frequentado por turistas, que percorrendo as alamedas vão admirando as verdadeiras obras de arte que lá estão construídas», adiantou.

Mas também estudantes ligados às artes (arquitectura e escultura), história, sociologia psicologia são assíduos frequentadores daqueles espaços, pois lá encontram respostas ou temas para os seus trabalhos, contou Licínio Fidalgo.

Estes espaços contam também histórias de pessoas e famílias que ali estão retratadas e constituem verdadeiras «curiosidades» para quem as conhece.

Maior jazigo particular da Europa

Um jazigo imponente salta à vista de quem visita os Prazeres. Foi mandado construir em 1849 pelo primeiro Duque de Palmela e é uma das mais singulares construções funerárias portuguesas e o maior mausoléu particular da Europa, com cerca de 200 corpos e restos mortais pertencentes à mesma família, à excepção de dois padres.

O seu espaço exterior recria a simbólica de um Templo Maçon e na capela, no interior da construção, várias estátuas de escultores de renome, como Canova, Teixeira Lopes e Calmels, embelezam os túmulos.

Consciente do valor desta obra ímpar da arquitectura funerária portuguesa, Manuel de Sousa Holstein Beck, Conde da Póvoa, decidiu doá-lo à Câmara Municipal de Lisboa.

Sepultados de pé

Outras curiosidades «povoam» estes espaços, como a história de Aniceto Rocha, um militar e professor na Escola do exército que quis ser sepultado de pé no cemitério dos Prazeres.

Projectando o seu próprio jazigo, introduziu-lhe uma forma engenhosa de aceder ao seu subterrâneo. Através de um orifício num dos lados de um dado que é falso foi introduzida uma alavanca que o faz rodar, deslocando uma lousa que também serve de tampo ao conjunto arquitectónico.

Também o general Faria Afonso, fundador da Liga Portuguesa dos Combatentes da Grande Guerra, está sepultado na vertical no cemitério do Alto de São João, simbolizando os «Os Generais Morrem de pé».

Outro mausoléu que desperta a atenção é o de Magalhães Lima, fundador do Jornal o Século e grande defensor da cremação em Portugal, mas que não foi cremado.

Em Lisboa, existem 14.755 jazigos particulares espalhados por seis cemitérios, encontrando-se a maioria nos mais antigos da cidade: 7.121 nos Prazeres e 6.660 no Alto de São João.