Piegas. Este é o elemento novo nos cartazes que ilustram a manifestação deste sábado que mais uma vez sai à rua para lutar contra a precariedade. Um mote novo, inspirado nas declarações do primeiro-ministro, mas que encabeça um protesto repetido nos últimos meses e que espelha as dificuldades cada vez maiores da população.

O protesto deste sábado concentra em Lisboa, não só trabalhadores de vários sectores, mas também de vários pontos do país. Do Porto saíram mais de cem autocarros e cerca de seis mil pessoas, naquela que é já a maior adesão de sempre a uma manifestação da CGTP.

Mas é de todo o país que a população se desloca. Segundo o novo secretário-geral da central sindical, Arménio Carlos, que fará neste protesto o seu primeiro discurso como líder sindical, centenas de autocarros saíram esta manhã em direcção ao Terreiro do Paço, que hoje é chamado Terreiro do Povo. É lá que os cidadãos vão mais uma vez lutar pelo rumo do país.

Um combate que parece cada vez mais ter questões de outros tempos. Hoje, em Portugal, luta-se também pela liberdade e contra a censura. Pelo menos, é o que defendem os jovens que em Lisboa e Porto saíram à rua para protestar contra o ACTA, a legislação europeia aplicável à Internet.

De outros tempos, parece também a luta pelo pagamento de salários em atraso. É o caso dos trabalhadores da Valadares, que em dia de manifestação nacional, não deixaram de lembrar que quem trabalha tem direito a receber.

Isso mesmo, vê-se pelas ruas nas palavras de ordem. Entre cartazes que dizem «Piegas unidos» ou «O povo unido jamais será vencido» ou ainda «Piegas é a tua...», Margarida Brôa seguia com o marido, entoando palavras de ordem: «Estou aqui para me manifestar contra a pobreza que há em Portugal», disse a auxiliar de educação de 57 anos que, sem emprego na área, trabalha já há alguns anos como «mulher a dias».

Também Elisabete, de 42 anos, teve de «deixar de trabalhar» perante a conjuntura de desemprego do país mas, mesmo assim, a habitante de Sintra afirma não estar contra a necessidade de medidas de ajustamento: «Eu não sou contra as medidas de austeridade, sou contra [o facto de] as medidas só atingirem os pobres», disse.

Com uma bandeira da Inter-Reformados, Manuel Lourenço veio de Santa Iria da Azóia porque se sente «usado com as políticas do Governo», apesar de a baixa reforma dos trabalhadores do sector privado ainda não ter sofrido cortes.

Raquel, na casa dos 40 anos, veio de Odivelas para uma manifestação em família «contra a desigualdade e a pobreza». Acompanhada pelas duas filhas (12 e 7 anos) e pelo marido, a manifestante diz que «está cada vez mais difícil» manter as filhas em escolas privadas.
Redação / CLC