As razões do protesto da CGTP eram claras nas mentes de todos os presentes em Lisboa, este sábado: «A necessidade do povo português de manifestar o seu descontentamento à apresentação da revisão das leis laborais para a administração pública e também para o código de trabalho para o sector privado, demonstração contra o aumento galopante do custo de vida, e exigência de melhores salários e melhores pensões», afirmou Arménio Carlos, membro da comissão executiva da CGTP.

Várias foram as unidades sindicais de diversos sectores que se juntaram a este protesto. As palavras de luta foram uma constante durante o cortejo para além dos cartazes alusivos às reivindicações que todos procuravam.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, marcou presença nesta manifestação. Segundo o líder do PCP para o Código do trabalho respeitar os trabalhadores seria preciso «eliminar aquele princípio em que passam a ser as entidades patronais a gerirem os tempos de trabalho, as limitações aos salários e a limitação à acção sindical», declarou ao PortugalDiário.

Timming errado

O protesto terminou com uma declaração pública do secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva. As duas questões principais levantadas pelo líder sindical foram «as propostas defendidas em 2003 pelo partido socialista» com as quais a CGTP está de acordo e a questão do desconhecimento dos portugueses em relação ao código do trabalho.

O secretário-geral mostrou-se desagradado com o timming escolhido para a discussão do diploma. «É impensável apresentar o diploma quando os portugueses estão de férias. Isto impossibilita a discussão com os trabalhadores», declarou o líder sindical.

Acusou ainda Sócrates de não cumprir as suas promessas eleitorais. «Ganhou votos a prometer uma coisa e a fazer outra no Governo».

«Viva os trabalhadores e a luta continua» foi assim que Carvalho da Silva deu por terminada esta acção de protesto.

Cinco mil no Porto

No Porto, cerca de cinco mil pessoas juntaram-se este sábado na Praça da Batalha, no Porto, e desceram até à Avenida dos Aliados em protesto.

A abrir a manifestação estavam alguns jovens que reivindicavam emprego e condições de trabalho menos precárias. Na cauda do protesto estavam também muitos trabalhadores do sector têxtil, funcionários públicos e até um movimento contra as portagens nas scuts.

Sócrates era a personagem principal desta marcha encabeçada pela CGTP, cartazes acusavam-no de mentir e as palavras de ordem apelidavam o novo código de trabalho de «negócio». «Com esta revisão melhor negócio não há, porreiro pá!», gritavam.

Calor não os impediu

«O extremo calor foi a principal causa para a falta de mais manifestantes», garantiu João Torres coordenador da União dos Sindicatos do Porto.

Mas, o sindicalista não quis deixar de sublinhar que mesmo nestas condições extremas foram muitos os que marcaram presença nas 17 capitais de distrito que aderiram ao protesto. Uma multidão que marchou ao som de tambores, acompanhada por um sol abrasador que ditava roupas finas e a constante procura pela sombra.

Luís Ferraz, desempregado, participou na manifestação ao lado dos jovens que reivindicavam emprego e criticou as consequências da globalização. «As pessoas agora são um número», sublinhou. Com uma posição bem marcada Luís Ferraz acredita que estas manifestações são capazes de fazer a diferença. «Se as manifestações não existissem estávamos bem piores», garantiu.

«Governo faz manobra anti-democrática»

O documento sobre o código laboral vai ser discutido durante o mês de Julho e por isso a CGTP acusa o governo de tentar fazer uma manobra anti-democrática ao colocar o assunto em discussão durante o mês em que a maior parte dos trabalhadores está de férias, explicou João Torres.

Para contornar esta situação a CGTP tem previsto para Julho uma acção nacional de esclarecimento com realização de tribunas públicas nos dias 8,9 10 e 17.
Redação / Ana Isabel Silva e Ana Rita Cantarinha