Um empresário chinês, de 24 anos, que está acusado dos crimes de homicídio consumado, cinco tentativas de homicídio, extorsão, incêndio e branqueamento de capitais depois do incêndio num prédio no Bolhão, no Porto, conseguiu vender o imóvel dentro da cadeia e lucrar mais de 500 mil euros com o negócio.

De acordo com o Jornal de Notícias, que teve acesso à acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal do Ministério Público do Porto, o empresário Chenglong Li comprou o imóvel em 2016 por 645 mil euros e tinha já um projeto de arquitectura aprovado pela Câmara do Porto para o mesmo.

No entanto, um dos pisos do edifício estava ocupado por uma família que pagava uma renda de 53,28 euros e que, de acordo com as leis do arrendamento, só por acordo cessaria o contrato.

Mas, a família recusou qualquer tipo de acordo e o caso acabou por terminar de forma trágica.

A 2 de março do ano passado, um incêndio destruiu o prédio e vitimou um homem de 55 anos, morador no edifício. A restante família saiu ilesa e foi realojada numa casa da Câmara do Porto, assim como um casal de vizinhos que também foi afetado pelo incêndio.

Em julho, o empresário chinês e um dos seguranças suspeitos de atear o incêndio ficaram em prisão preventiva, mas nem isso impediu Chenglong Li de concretizar a venda do imóvel que tinha sido iniciada a 28 de novembro de 2018 com a celebração de um contrato-promessa de venda por 1,2 milhões de euros.

O imóvel acabaria por ser mesmo vendido, através de uma procuração pasada à mulher, por 1,2 milhões de euros, a uma empresa portuguesa.

Depois da venda consumada, Chenglong Li tentou enviar algum dinheiro da venda para a China, mas o banco alertou o Ministério Público das ordens de transferência por suspeitas de branqueamento de capitais e o lucro de 555 mil euros foi apreendido.

/ AM