A TVI24 sabe que são cerca de 320 os pedidos de localização de pessoas desaparecidas em Moçambique, na sequência do ciclone Idai, numa lista compilada pela organização de voluntários digitais VOSTPT e disponibilizada às autoridades portuguesas e moçambicanas. José Luís Carneiro, durante a tarde desta quarta-feira, referiu-se a 100 pedidos de informação.

Através de um formulário disponibilizado online, a VOSTPT está a tentar compilar uma lista de pessoas incontactáveis em Moçambique. Já foram recolhidos mais de 300 pedidos de localização e foi entretanto possível localizar 16 pessoas e estabelecer o contacto com as suas famílias.

De acordo com as informações recolhidas pela TVI24, esta lista foi originalmente enviada para a Embaixada de Portugal em Maputo e para o consulado de Portugal na Beira a 14 de março, dia em que se deu o landfall da tempestade. No mesmo dia, foi enviada também para o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades e para o Centro Nacional Operativo de Emergência de Moçambique, o equivalente à Proteção Civil do país.

A 18 de março, a mesma lista foi enviada para o grupo Rescue Beira, que iria reunir-se com o secretário de Estado esta segunda-feira. No mesmo dia, a VOSTPT fez chegar a lista de pessoas desaparecidas ao chefe de gabinete de José Luís Carneiro.

A TVI24 contactou o gabinete do secretário de Estado, que remeteu um comentário para mais tarde, uma vez que tinha acabado de chegar à Beira, e continua a aguardar por uma reação oficial da parte de José Luís Carneiro.

Idai já causou mais de 300 mortos

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué já provocou mais de 300 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos.

Em Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou na terça-feira que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil "estão em situação de risco". Foi decretado o estado de emergência nacional. O país vai ainda cumprir três dias de luto nacional, até sexta-feira.

O Idai atingiu a Beira na quinta-feira à noite, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, deixando os cerca de 500 mil residentes sem energia e linhas de comunicação, naquela que é a quarta maior cidade do país africano.

A Cruz Vermelha Internacional indicou na terça-feira que pelo menos 400 mil pessoas estão desalojadas na Beira, em consequência do ciclone, considerando tratar-se da "pior crise" do género no país.

No Zimbabué, as autoridades contabilizaram pelo menos 82 mortos e 217 desaparecidos, enquanto no Malaui as únicas estimativas conhecidas apontam para pelo menos 56 mortos e 577 feridos.

João G. Oliveira