Nos últimos anos as ciclovias invadiram as cidades e parece que vieram mesmo para ficar. Cada vez com mais adeptos, são usadas dos 8 aos 80, mas a convivência entre os veículos de duas rodas e os de quatro nem sempre é mais saudável.

“Há um número efetivamente maior de utilizadores de trotinetes e bicicletas e há algum desconhecimento quer das regras do trânsito, quer das regras sinaléticas da parte dos condutores”, diz à TVI Carlos Fernandes, da Polícia de Segurança Pública.

Decidimos então fazer-nos à estrada para perceber a realidade e em poucos quilómetros vimos peões a passear nas ciclovias, bicicletas e trotinetas em contramão e automóveis a desrespeitar as distâncias de segurança.

“Isto já aconteceu de certeza a toda a gente que é: uma pessoa vai a atravessar a passadeira, olha para o carro, a pessoa do carro vê-nos perfeitamente e diz ‘desculpe’ e passa. Porque não está para se chatear, não quer parar o carro, mas vai parar no próximo semáforo”, conta Miguel Batista da MUBI.

Quanto às regras de trânsito essas são iguais para todos os veículos, e os ciclistas, à semelhança dos condutores de automóveis, podem ser multados por passar sinais vermelhos ou conduzir com excesso de álcool. Mas quanto às multas, as coisas mudam. A lei prevê que as coimas para os velocípedes sejam metade do valor aplicado aos automóveis… uma coisa que poucos sabem é que quem for apanhado a infringir as regras de trânsito numa bicicletas ou trotineta e tiver título de condução pode também perder pontos na carta.

O circular em cima do passeio é proibido, só os menores de 10 anos podem efetivamente circular de bicicleta ou trotinete em cima do passeio”, explica o Comissário da PSP.

O capacete não é obrigatório, sendo apenas recomendado e, em cada veículo, pode circular apenas uma pessoa.

Já sobre a circulação, o princípio da liberdade de trânsito não obriga os velocípedes a utilizar as ciclovias, até porque algumas foram feitas a pensar em percursos de lazer e que nem sempre servem as necessidades de quem se desloca diariamente. 

A verdade é que todos sabemos que os acidentes não tocam só aos outros, e aqui a ideia é que não aconteçam nem aos melhores.

Lembrem-se que, não é uma bicicleta, não é um ciclista, é uma pessoa e essa pessoa tem família, tem filhos, tem pais, tem irmãos. Só que anda numa bicicleta em vez de ser um carro”, alerta Miguel Batista.

Márcia Sobral