A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, anunciou esta sexta-feira que Lisboa terá um centro de crise para apoiar vítimas de violência sexual, que estará disponível a partir de 2017.

Catarina Marcelino falava na sessão de encerramento da conferência internacional "Políticas e Práticas na Intervenção em Violência de Género", organizada pela Câmara Municipal e que decorreu no Fórum Lisboa.

"Temos vindo a discutir com o Ministério da Justiça, com a Câmara de Lisboa, também com a Misericórdia de Lisboa, como é que podíamos pôr de pé este projeto", afirmou a governante.

Apesar de ser um projeto novo, para a secretária de Estado "há esta necessidade porque o país não tem nenhum centro de crise para vítimas de violência sexual".

"Neste momento, estamos a tentar fechar uma solução porque temos de encontrar financiamento. (...) E assumimos o compromisso de até ao final deste ano, até ao mês de dezembro, conseguirmos fechar o modelo e assinar um protocolo, para que para o ano possa iniciar-se esta resposta em Lisboa", acrescentou.

Apesar de ser uma resposta para a capital, Catarina Marcelino observou que "o que se pretende é que no futuro ela também possa existir noutros pontos do país, nomeadamente no Porto".

"Temos de começar por algum lado e Lisboa será certamente, durante o ano que vem, uma cidade que terá uma resposta, um centro de crise para vítimas de violência sexual", apontou.

O centro de crise será então destinado às pessoas "que precisam de ajuda imediata, mas depois também terá uma componente para apoiar as vítimas que, não tendo sido vítimas naquele momento, têm trauma de vitimização", disse a membro do Governo.

Apesar de não ter uma componente de acolhimento, o espaço de "atendimento ambulatório" contará com "técnicos da área social e da área da psicologia que possam apoiar estas pessoas".

Presente na conferência, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa considerou que um espaço deste género "exige vários níveis de compromisso", nomeadamente "a articulação com as respostas já existentes, a materialização, criação de um espaço físico", assim como a "criação de equipas, a sua formação e capacitação".

"Muito importante é depois como é que isso funciona dentro da rede da cidade de Lisboa", apontou o autarca, acrescentando que "há vontade, há disponibilidade e há também orçamento municipal para dar o que lhe disser respeito nas suas obrigações".

"Nós aqui queremos concretizar uma resposta de uma forma eficiente e prática, porque é urgente ter um centro de urgência", sublinhou João Afonso.

Questionados pela Lusa, nenhum dos responsáveis quis avançar qual o investimento necessário para a execução do centro, justificando que "depende do modelo escolhido".

Redação / AR