O Ministério da Educação decidiu integrar a escola básica de Barqueiros, em Barcelos, nos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP). Em conferência de imprensa, a tutela explica que tomou esta decisão para que seja «melhorado ainda mais» o trabalho daquele estabelecimento, que isolou uma turma de ciganos do resto dos estudantes.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, indicou que o Ministério decidiu ainda criar uma equipa de acompanhamento do caso. Isto depois de recebido o relatório sobre a escola pedido há cerca de «três, quatro dias» na sequência de várias notícias na comunicação social sobre os alunos ciganos da escola.

Segundo noticia a Lusa, a equipa integrará especialistas da Direcção Regional da Educação do Norte, da Coordenação Nacional dos TEIP e da Universidade do Minho e irá «acompanhar o trabalho e a evolução do projecto em Barcelos».

As 59 escolas integradas nos TEIP são estabelecimentos de ensino localizados em contextos sócio-económicos desfavorecidos e com elevadas taxas de abandono e insucesso escolar.

Integração e sucesso escolar

A integração desta escola nos TEIP, diz o governante, tem por objectivo «reforçar os seus recursos humanos e materiais». Valter Lemos referiu, em concreto, a contratação de mediadores para a comunidade cigana, assistentes sociais e «outros técnicos nas áreas de relação com a comunidade e trabalho directo com os jovens», como é «prática nas 59 escolas TEIP actualmente em funcionamento».

«O objectivo é reforçar os recursos, a capacidade de actuação, eventualmente corrigir algum aspecto que esteja menos bem e conseguir que a escola disponha dos recursos humanos e materiais para que continue a realizar o seu trabalho e a melhorar as condições de trabalho tendo em vista os objectivos finais de integração e o sucesso escolar», afirmou Valter Lemos.

Aproveitamento político

A directora da Direcção Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, também esteve na instituição, onde disse que o caso foi sujeito a um aproveitamento político. «Há muita gente a aproveita uma boleia, uma onda. O surfista político vai na crista da onda porque é mais fácil fazer de conta sem saber rigorosamente nada do que se está a passar», disse a responsável.

Margarida Moreira disse ainda que foram retiradas «conclusões» do contexto, recusando sentir qualquer pressão relativamente a este tema. «Não me sinto de todo acusada», disse.
Redação / AR