Milhares de estudantes saíram esta sexta-feira à rua para exigir dos políticos ações contra as alterações climáticas e no qual gritam que “não há planeta B”, "Justiça climática já" e, num caso específico, sem gritar nada. Em Lisboa, Porto, Coimbra, Portalegre e Covilhã há protestos a decorrer, no último de forma silenciosa em luto.

Integrados numa greve mundial pelo clima, em Portugal estão a decorrer protestos desde manhã em mais de 20 cidades

Em Lisboa, estão desde as 11:00 a desfilar do Largo Camões até à Assembleia da República.

Empunhando cartazes onde se lê “A Terra esgotou a sua paciência e nós também”, “Justiça climática já”, ou ainda “Estado de Emergência”, os jovens desfilam e gritan palavras de ordem entre as quais a mais reclamada é: “Não há Planeta B”.

Entre as várias mensagens espalhadas ao longo da marcha encontram-se também cartazes com palavras em inglês como por exemplo “We are skipping our lessons to teach you one (estamos a faltar às aulas para te dar uma [aula].

Esta greve estudantil mundial tem como lema "fazer greve por um clima seguro" e culmina uma série de manifestações semanais iniciadas no ano passado pela sueca Greta Thunberg, 16 anos, nomeada para o prémio Nobel da paz.

Évora: alunos no centro histórico

Cerca de 600 estudantes percorreram as principais ruas do centro histórico de Évora, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem em defesa do planeta.

Os participantes concentraram-se, inicialmente, na Praça do Giraldo, considerada a sala de visita da cidade, onde alguns discursaram, através de um megafone, e todos, em conjunto, entoaram palavras de ordem.

Ó senhor ministro explique por favor porque é que no inverno faz calor", foi uma das frase mais vezes entoadas pelos estudantes, ao mesmo tempo que seguravam cartazes com frases como "não há planeta B" e "- CO2 + futuro".

Braga marchou pelo planeta

Centenas de alunos de Braga faltaram às aulas e marcharam, pacífica mas ruidosamente, pela cidade.

Tivemos de faltar às aulas, mas achámos que era muito mais importante estarmos aqui, porque o nosso planeta está muito doente”, atirou Inês, de 13 anos e aluna da Escola D. Maria II. Se todos ajudarmos, ainda podemos salvar o planeta”, refere Inês, sublinhando que “pequenos gestos” do dia-a-dia, como partilhar cartolina, podem fazer “toda a diferença”.

Em Portalegre, alunos juntaram-se a plátano com a maior copa da Peninsula Ibérica

Mais de 100 estudantes protestaram em Portalegre, junto a um plátano que ostenta a maior copa da Península Ibérica, para exigir aos políticos ações concretas contra as alterações climáticas.

Inês Alegria, da Associação de Estudantes de São Lourenço, explicou à agência Lusa que esta manifestação em Portalegre serviu para “mostrar a preocupação” que os jovens têm nesta altura com as alterações climáticas, uma vez que em 2050 “se prevê que não exista água” no planeta.

Nós vamos ser a geração mais afetada pelas alterações climáticas e é por isso que estamos preocupados, queremos agir agora e alertar os políticos para esta situação”, disse.

Munidos de cartazes com palavras de ordem, os estudantes, a maioria com idades entre os 12 e os 17 anos, esperam ao longo da manhã percorrer as principais artérias de Portalegre e entregar uma carta à presidente do município, Adelaide Teixeira, alertando-a para o problema.

Covilhã vestiu-se de preto em sinal de luto

Mais de meia centena de estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, vestiram-se de negro, em sinal de luto pelo planeta.

O objetivo desta manifestação passa por responsabilizar o Governo para arranjar soluções para as questões climáticas. Queremos também sensibilizar a população para estas questões porque ela também é responsável por mudar o curso do planeta", explicou à agência Lusa, Daniel Pais, estudante da UBI e responsável pelo Movimento Académico de Proteção Ambiental da UBI (MAPA).

Os estudantes, aos quais se juntaram alguns agricultores da região, partiram da porta principal da UBI e concentraram-se em frente à Câmara Municipal da Covilhã, onde permaneceram em silêncio, exibindo alguns cartazes com frases como "Não há planeta B", "os Jovens acordaram! Contem connosco!" ou "O tempo de agir é agora".

Associamo-nos a esta greve internacional e queremos sensibilizar as pessoas para que, em vez de nos apoiarem, promovam ações diárias que contribuam para a sustentabilidade do planeta", afirmou.

Coimbra: chega de “blá blá blá”

Mais de mil estudantes concentraram-se junto à Câmara Municipal de Coimbra, onde envergaram cartazes e entoaram gritos de protesto.

"Queremos mudança e é para já. Estamos fartos de blá blá blá", afirmaram os estudantes, para logo a seguir cantarem "O planeta unido jamais será vencido".

Francisca Reis, de 18 anos, aluna na escola secundária de Cantanhede, fez o percurso de 30 quilómetros até Coimbra de bicicleta com mais 14 colegas, acompanhados pela Escola Segura e por um professor.

É um ato simbólico pedalar até cá - escolher um meio não poluente", disse à agência Lusa a estudante que não conseguia esconder o seu entusiasmo de participar na greve mundial de alunos convocada para hoje, com protestos marcados em mais de 100 países.

Centenas de estudantes desfilaram em Aveiro

A maioria veio a pé, alguns de bicicleta ou de skate, muitos à boleia, e foram centenas de estudantes que se juntaram na manifestação pela defesa do planeta, que desfilou por algumas ruas de Aveiro.

O encontro foi na emblemática Praça Joaquim de Melo Freitas, aos Arcos, onde um obelisco homenageia os “mártires da Liberdade” que, muito antes deles, lutaram por direitos, liberdades e garantias.

Camila Valentim, da Escola Secundária José Estêvão, acha que não é tanto assim como o cartaz diz e apela aos adultos para que ajudem a fazer essa mudança.

A nossa geração é que tem mais consciência do que se está a passar, mas acho que não conseguimos fazer isto sozinhos. Somos jovens, sabemos que o mundo não está bem e está em causa ou nosso futuro, mas não temos assim tanto poder e por isso queremos mostrar às pessoas que têm que fazer também alguma coisa para contribuir para o meio ambiente”, comentou.

Faro juntou cerca de 400 alunos

Cerca de 400 estudantes, provenientes um pouco de todo o Algarve, concentraram-se hoje à entrada de Faro, onde envergaram cartazes, entoaram gritos de protesto contra as alterações climáticas, e apelaram aos governantes por “mais união, menos poluição”.

Nós somos a primeira geração a ser afetada, a estudante da Suécia [Greta Thunberg] é uma inspiração para todo o mundo e nós portugueses às vezes somos deixados de parte, tal como o Algarve, e queremos ser ouvidos. Até porque o governo não está a dar a devida atenção a este problema”, reivindicou Margarida Roxo.

Três dezenas de jovens frente ao parlamento dos Açores

Cerca de três dezenas de jovens açorianos juntaram-se em frente à Assembleia Legislativa da região, na ilha do Faial, empunhando cartazes.

Acompanhados por alguns adultos, inclusive pais de alguns dos alunos, os jovens concentraram-se em frente ao parlamento dos Açores e andaram cerca de 200 metros até às instalações da Direção Regional do Ambiente do executivo açoriano, situada também na cidade da Horta.

"Sabemos que o problema é do mundo inteiro, mas é importante chamar a atenção para tudo isto e dizer que ainda não é tarde", disse à agência Lusa João, aluno na secundária Manuel de Arriaga.

Cerca de duas centenas de alunos na Madeira

Cerca de duas centenas de alunos manifestaram-se no Funchal, em frente à Assembleia Legislativa da Madeira, no âmbito dos protestos que decorrem em mais de 100 países sob o lema "fazer greve por um clima seguro".

"Este assunto é demasiado importante e estes alunos fizeram muito bem em aderir, é um assunto que já deveria ter sido tratado há mais tempo, já deveríamos ter declarado o estado de emergência climática", afirmou Carolina Silva, 18 anos, responsável pela organização do movimento na Região Autónoma da Madeira.

Ativista Greta Thunberg pede a participação dos adultos

Greta Thunberg, 16 anos, ativista sueca que inspirou o movimento mundial contra as alterações climáticas subscreve um manifesto defendendo que os estudantes estão em greve porque não têm outras opões.

Este movimento tinha de acontecer, nós não temos escolhas. A maior parte dos grevistas que estão mobilizados ainda não podem votar. Imaginem o que isso significa. Apesar da crise climática, apesar de conhecermos os factos não temos possibilidade de falar sobre as alterações climáticas com aqueles que têm poder de decisão. Sendo assim, você também não estaria em greve”, refere o documento que apela à participação dos adultos nas greves dos estudantes.

O texto que foi publicado em cinco jornais europeus é subscrito por Greta Thunberg, adolescente de Estocolmo que se converteu no rosto do movimento “Youth for Climate” pela defesa do planeta e que hoje organiza marchas e greves a nível mundial, incluindo Portugal onde se estão a realizar manifestações em várias cidades.

O manifesto assinado igualmente por jovens representantes do movimento no Reino Unido, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos é a mais recente publicação na conta de Greta Thunberg nas redes sociais Twitter e Facebook.

Estamos a faltar à escola porque cumprimos o nosso dever”, disse recentemente Greta Thunberg durante uma reunião pública em Bruxelas em que justificou as greves estudantis que são organizadas todas as semanas desde o final do ano passado e que começaram em Estocolmo.