Especialistas em análise de risco em matemática e gestão juntam-se na sexta-feira aos gastrenterologistas para ajudar a perceber o risco de exames como a colonoscopia, o melhor método para rastrear o cancro do cólon e reto, o tumor que mais mata em Portugal.

O gastrenterologista Paulo Ribeiro, da organização das terceiras Jornadas de Endoscopia SAMS, lembra que o cancro do cólon e reto mata todos os anos cerca de 4.000 pessoas em Portugal, o equivalente à queda de 20 aviões.

É o equivalente à queda de 20 aviões todos os anos”, sublinha o especialista, explicando que, apesar de ser impossível garantir um risco zero neste tipo de exames, “os riscos são substancialmente inferiores aos benefícios que o doente colhe”, num exame que permite igualmente retirar lesões pré-malignas.

“O risco é uma coisa com a qual trabalhamos todos os dias, mas temos sempre de tentar diminuí-lo”, afirma Paulo Ribeiro, acrescentando: “Não vamos chegar a risco zero, isso não existe, mas quanto mais nos protegermos e protegermos os doentes menor é a probabilidade de ocorrerem complicações.

O especialista lembra ainda que o risco de complicações nas colonoscopias é muito baixo (1/1.000) e que o de complicações graves “ainda é menor”.

“O que se pretende é que tudo seja protegido. Nunca se consegue garantir à partida que tudo vai correr totalmente bem, mas temos de garantir às pessoas que estamos preparados para resolver qualquer questão que surja. Isso é que é importante”, afirmou.

O médico lembra que em Portugal há cerca de 10.000 novos casos de cancro do cólon e reto por ano e que 1/3 destes doentes morrem por causa da doença.

“Se chegarmos mais cedo, menos doentes morrerão”, afirmou o especialista, sublinhando que a colonoscopia é uma técnica “cada vez mais segura e confortável”

Neste caso, “os riscos são muito mais pequenos do que o benefício e tanto mais serão pequenos quanto maior for a atenção que temos a todos os procedimentos, a preparação dos médicos e a capacitação dos hospitais”.

O especialista aconselha a população em geral a fazer uma colonoscopia de rastreio aos 50 anos e lembra que se trata de um exame que permite retirar lesões (pólipos) que nunca chegarão a ser malignas.

As estimativas indicam que em Portugal se fazem cerca de 500.000 colonoscopias todos os anos.

/ SS