O documento preliminar que define a estratégia do governo para os transportes e que determina a desactivação da linha do Tua apenas oficializa «o que já sabia», defendeu hoje o presidente da câmara de Mirandela.

José Silvano disse hoje à Lusa que a desactivação da linha do Tua «acaba definitivamente» com o serviço público ferroviário no Nordeste Transmontano, embora não colida com o plano de mobilidade previsto para a zona.

O documento preliminar com a estratégia do Governo para o sector dos Transportes clarifica o impasse que se arrasta há mais de três anos na linha do Tua, ao apontar a desactivação daqueles que são os últimos quilómetros de via-férrea no Nordeste Transmontano.

O documento que define as linhas orientadoras para o Plano Estratégico dos Transportes a executar entre 2011 e 2015, a que a Lusa teve acesso, contempla a desactivação da linha do Tua, onde a circulação está suspensa desde agosto de 2008, a data do último de quatro acidentes com outras tantas mortes.

Durante este período, foi aprovada e iniciada a construção da barragem de Foz Tua, que implicou a desactivação imediata de quatro quilómetros e vai submergir 16 dos menos de 60 quilómetros da linha do Tua, cortando a ligação à rede nacional ferroviária.

Este documento «acaba definitivamente com o serviço público de transporte ferroviário na linha do Tua», mas nada altera em relação ao que já está previsto a nível regional, segundo o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano.

O autarca protagonizou a luta contra o encerramento da linha e é também presidente do Metro de Mirandela, que fazia o transporte ao serviço da CP, recebendo uma contrapartida financeira anual de cerca de 250 mil euros.

Segundo disse à Lusa, as orientações do Governo vêm apenas oficializar o que já se sabia, e não colide com o plano de mobilidade que está previsto para a zona como contrapartida da construção da barragem de Foz Tua.

Silvano explicou que este plano de mobilidade implicaria sempre a desactivação da linha do Tua e irá ser executado pela Agência de Desenvolvimento Regional que será formalizada dia 25, em Mirandela, com a assinatura do protocolo entre as autarquias, a EDP e o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Em troca da barragem, vão ser investidos 35 milhões de euros para criar um novo plano de mobilidade na zona, que implica um pequeno troço de via férrea da estação do Tua ao paredão, um funicular, dois barcos para levarem os passageiros até à Brunheda e comboio até Mirandela.

A concessão, no futuro, dos novos serviços a privados será estudada pela agência. Segundo o autarca social-democrata, também o metro de Mirandela, que ainda circula, entre a cidade e Cachão, vai acabar dentro de «três a quatro anos», logo que esteja executado este plano de mobilidade.

A linha do Tua ligava originalmente Bragança ao Tua, numa extensão de mais de 133 quilómetros e entrou ao serviço em 1906.

Em 1991 foi encerrado o troço entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros e um ano depois entre Macedo de Cavaleiros e Bragança.

Em 1995 foram reabertos os quatro quilómetros entre Mirandela e Carvalhais, financiados pela União Europeia e explorados pelo Metropolitano de Superfície de Mirandela, uma iniciativa da autarquia local em sociedade com a REFER e CP.

Mais tarde, o Metro estendeu-se por 15 quilómetros até ao Cachão e evitou o encerramento da linha, passando a fazer as viagens até ao Tua.